sábado, 29 de novembro de 2008

Desastre em Santa Catarina: mais do mesmo

Segundo o jornalista, escritor e historiador Ricardo Moreira de Mesquita, a tragédia que ocorreu em Santa Catarina não é nenhuma novidade. Ele faz um histórico de outros eventos climáticos nesta mesma região, mostrando que nem sempre aprendemos com nossos erros.

"As enchentes em Santa Catarina são históricas, mas precisam deixar de ser. Não existem méritos quando a ocupação humana desordenada favorece fenômenos naturais que ceifam vidas.(...) O desmatamento, a ocupação desordenada das encostas, a omissão dos poderes públicos no controle demográfico de regiões de risco, associados à especulação imobiliária, lavouras e plantações desordenadas nos picos dos morros, agravam os eventos."

O artigo foi publicado no jornal Folha de SP. Para ler o artigo completo, clique aqui.


sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Um dia é da caça...



Isso me lembra outro baixinho enfezado. Vejam o vídeo dele encarando o caçador e depois partindo para o ataque. Acho melhor ele procurar algum bicho menos marrento.

Só poderia ser do FAILblog.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Alfred Wallace – O evolucionista esquecido



Alfred Russel Wallace antes da sua viagem para a Amazônia, em 1848. Fonte: The Alfred Russel Wallace Page.


O fotógrafo inglês Fred Langford Edwards é o idealizador de uma exposição cujo nome intitula este post e que está sendo realizada desde julho no País de Gales e ficará até dezembro no Shopping Millenium Center, em Manaus. Depois, a exposição será apresentada em Brasília e em São Paulo, em lugares a serem definidos (esse tipo de exposição nunca chega no Rio...). A exposição é baseada em 50 fotografias feitas a partir de gravuras de peixes e palmeiras desenhadas por Wallace de 1848 a 1852, período que esteve em solo amazônico. Além da exposição, Edwards está fazendo uma viagem fotográfica que terminará no fim do mês, refazendo a trajetória de Wallace na Amazônia. O fotógrafo registra a vida ao longo dos rios Negro e Uapés, a 852 Km de Manaus.

Diferente de Darwin, Wallace teve um "pouco" de azar. O navio em que ele voltava para a Inglaterra após a temporada na Amazônia se incendiou e grande parte do seu material coletado e suas anotações foram perdidos. Seis anos após esta tragédia, Wallace escreveu uma carta histórica para Darwin, que é considerada um dos principais motivos para a publicação de forma adiantada do famoso "Origem das espécies". Após esta carta, Darwin foi estimulado por amigos mais próximos a publicar logo suas idéias, o que culminou no artigo conjunto publicado em primeiro de julho de 1858 na Linnean Society.

A homenagem é mais do que merecida para Alfred Russel Wallace que, se não for o evolucionista esquecido, pelo menos pode ser considerado o evolucionista injustiçado. Na verdade, se formos considerar a opinião do próprio Wallace, acho que ele não ligaria para isso. Um dos livros que Wallace escreveu pós Origem das espécies se chamava "Darwinismo", clara indicação que ele achava que Darwin tinha papel central na formulação da teoria. Mas com certeza seu papel histórico deve ser sempre lembrado quando pensamos em evolução.

Para mais informações sobre o evento, veja a reportagem da Agência FAPESP.

Microorganismos intestinais e a nossa saúde


Esse blog, por muitas vezes, abordou a importância dos microorganismos na natureza. Todos os ciclos biogeoquímicos (como o do carbono, fósforo ou nitrogênio) possuem alguma etapa que seja estritamente microbiana. Além disso, observamos que cada nicho, por mais extremo que possam ser suas condições, possuem no mínimo algum tipo de microorganismos (nos casos mais extremos Archaeas).

Atualmente, os cientistas têm estudado a importância da presença de determinados tipos de microorganismos nos nossos intestinos. Eles são capazes de atuar em conjunto com o sistema digestório humano, isto é, são capazes de "digerir" materiais que escapam da digestão no trato gastrointestinal superior. Assim, através de processos fermentativos (pois como sabemos, o nosso intestino é um ambiente anóxico) são capazes de fornecer nutrientes e energia para nós seres humanos.

Entretanto, como nada na natureza é simples, essa fermentação ocorre em etapas. Estas etapas são realizadas por diferentes grupos funcionais de microorganismos ligados numa cadeia trófica. Por exemplo, comunidades microbianas hidrolíticas secretam enzimas que digerem substratos complexos em moléculas mais simples e de fácil assimilação para elas e para outros grupos de bactérias também. Outro exemplo, o hidrogênio produzido no processo de fermentação é eliminado através de sua transferência interespecífica (Archaeas metanogênicas, bactérias sulfato-redutoras e outras). Como o excesso de hidrogênio diminui a eficiência dos processos fermentativos, essa eliminação é de grande importância para o ecossistema formado no intestino e, desta forma, para a saúde dos seres humanos.

Assim, podemos observar que nossa saúde é diretamente ligada a estrutura das comunidades microbianas presentes em nossos intestinos. Grandes mudanças nessa estrutura podem ser extremamentes danosas para nossa saúde. Hoje podemos observar a grande quantidade de anúncios de iogurtes dizendo serem capaz de corrigir a "flora" (por que eles não concertam isso????) intestinal. Entretanto, podemos observar que essa dinâmica não é tão simples como eles mostram nos comerciais. Muito ainda tem que ser estudado nessa área. E com o avanço de técnicas de biologia molecular que são capazes de identificar os grupos de microorganismos presentes no nosso aparelho digestório muito ainda será descoberto nessa área.

Fonte: FEMS Microbiology Ecology

Referência:

Chassard, C. et al. 2008. Assessment of metabolic diversity within the intestinal microbiota from healthy humans using combined molecular and cultural approaches. FEMS of Microbial Ecology 66:496-504

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Como enganar uma borboleta




Não deixe de conhecer o Bichinhos de Jardim.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Aluno de pós-doc tenta envenenar colega de trabalho



Recado suspeito. Crédito: passiveagressivenotes


Segundo o blog da revista The Scientist, este caso ocorreu no Departamento de Urologia na Universidade da Califórnia. O aluno de pós-doc Benchun Liu admitiu à polícia local que tentou envenenar o seu colega de trabalho Mei Cao não só uma, mas duas vezes. Na verdade a polícia só descobriu o fato porque o potencial assassino contou à vítima sobre o ocorrido, depois da segunda tentativa. Mei Cao realmente chegou a tomar o "veneno", mas não sentiu nenhuma reação adversa. Mesmo assim foi levado para o hospital onde ficou em observação.

Benchun Liu em nenhum momento deu alguma explicação pessoal para o fato, dizendo apenas que estava "muito estressado". Fica a dica para todos os orientadores que acompanham este blog. Nunca aceite um copo d´água de um aluno sem pensar duas vezes.

Fonte: The Scientist blog.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Microalgas que não fazem fotossíntese


O título deste post não é um paradoxo. Oceanógrafos da Universidade de Santa Cruz, Califórnia descobriram um novo grupo de algas cianofíceas (mais conhecidas como cianobactérias) que não apresentam boa parte dos genes necessários para o funcionamento do fotossistema II e para a fixação de carbono, essenciais para o processo de fotossíntese tanto em cianobactérias quanto em plantas superiores. O estudo foi publicado semana passada no periódico Science.

O mais interessante deste caso é o papel ecológico deste grupo. Inicialmente alguém poderia perguntar: "Mais isso deve ser uma aberração. Este grupo não teria sucesso já que não teria como obter matéria orgânica". É aí que o assunto começa a ficar interessante.

Mesmo sendo o principal constituinte da nossa atmosfera (quase 80%), o nitrogênio gasoso (N2) não é assimilável pela maior parte dos organismos. O N2 pode ser fixado por bactérias do gênero Rhizobium, que vivem em nódulos de raízes de plantas leguminosas, e, principalmente, por cianobactérias. O processo de fixação biológica do nitrogênio (FBN) requer uma energia de ativação muito alta, desta forma está longe de ser um processo espontâneo. Além deste pequeno problema, uma das grandes restrições da FBN é a fragilidade da enzima catalizadora. A nitrogenase é altamente sensível à presença de oxigênio, que pode destruir de forma irreparável a enzima. Uma pergunta bem coerente seria: "Como uma microalga poderia realizar um processo onde a enzima catalizadora é muito sensível ao oxigênio?". A seleção natural deu um jeito neste pequeno problema. Alguns grupos de cianobactérias filamentosas que fixam nitrogênio gasoso apresentam uma célula chamada heterocisto, que cria um ambiente microanaeróbico onde a enzima nitrogenase pode trabalhar sem sobressaltos.



Heterocisto (parte central da foto) de Anabaena sperica. Crédito: Wikipedia


Mas nem todos os grupos de cianobactérias têm heterocistos. Desta forma, a maior parte só consegue fixar nitrogênio a noite, quando não estão fazendo fotossíntese. Acho que agora ficou mais fácil de entender qual seria o papel ecológico deste grupo de cianobactéria. A falta de genes que são essenciais para a realização do processo de fotossíntese fez com que este grupo passasse a fixar nitrogênio durante o dia todo, mesmo sem uma estrutura especializada para proteger a nitrogenase. Sendo um grupo muito abundante em oceanos, a taxa de fixação de nitrogênio total neste ambiente pode sofrer um acréscimo considerável, tendo grande relevância ecológica. Quanto ao problema do grupo de microalgas descoberto não ter uma fonte de carbono devido a não realização da fotossíntese, existem duas hipóteses principais: essas microalgas podem estar se alimentando de alguma forma diretamente de matéria orgânica (como já ocorre em outros grupos) ou em simbiose com algum outro organismo.

Acho incrível como um processo de tamanha importância evolutiva como a fotossíntese pode ter sido "esquecido" por este grupo de algas. Tentem imaginar o tamanho da pressão seletiva para um grupo de cianobactérias ter se mantido, reproduzido e tornar-se dominante em seu ecossistema sem realizar um processo que alterou de forma marcante a vida em nosso planeta, tendo evoluído a mais de 2 bilhões de anos atrás.

Outras informações de forma bem palatável sobre o artigo podem ser vistas na ScienceNOW e no Eurikalert!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Caminhos de Darwin no Rio de Janeiro





"Em comemoração aos 200 anos do nascimento de Charles Darwin e pelos 150 anos de publicação de seu livro clássico 'A Origem das Espécies' o Ministério da Ciência e Tecnologia e instituições científicas do Rio de Janeiro estão organizando a 'Expedição Caminhos de Darwin', que contará com a presença de seu tataraneto, Randal Keynes, e percorrerá o mesmo caminho que fez o naturalista quando esteve no Rio de Janeiro, em 1832. Prevista para os dias 26, 27, 28 e 29 de novembro, a expedição envolverá 12 municípios e terá a participação de cientistas, professores, alunos e jornalistas.

Durante a viagem serão inauguradas placas comemorativas, com mapa do Estado sinalizando o trajeto de Darwin e observações do seu diário sobre o referido lugar. Palestras de divulgação científica sobre o que o naturalista observou em cada local, exibição de vídeos, exposição, apresentação das espécies citadas em seu diário e do hino nacional cantado em Tupi Guarani por alunos de Araruama, estão entre as atividades previstas nas inaugurações.

A expedição também ressaltará a importância da viagem do naturalista para a ciência e para a preservação do patrimônio histórico e geológico da região. Ela terá o seguinte trajeto: Rio de Janeiro (Jardim Botânico), Maricá, Saquarema, Araruama, São Pedro da Aldeia, Fazenda Campos Novos (Cabo Frio), Barra de São João, Macaé, Conceição de Macabu, Rio Bonito, Itaboraí e Niterói."


Para saber mais sobre o evento, veja o flyer com as datas e lugares onde serão realizadas as intervenções.

Para saber mais informações tanto sobre o evento deste ano, quanto sobre a passagem de Darwin pelo Rio de Janeiro em 1832, visite o bem elaborado sítio do evento.


PS.: O texto é uma reprodução do vinculado pelos organizadores do evento. Gostei muito da idéia da placa com o trajeto, citações do texto original, etc. Mais porque diabos os alunos de Araruama vão cantar o hino nacional em Tupi Guarani?