terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Criacionismo é defendido por professores da terra de Dawkins


Com certeza Richard Dawkins não teve um bom natal. Não por ele ser ateu. Muitos dizem que ele acaba sendo fundamentalista quando ataca de forma mais "ríspida" os teístas. Mas ele mesmo se considera um "cristão cultural", mostrando que não faz parte de um movimento para acabar com todos os resquícios da religião do mundo. Acho que ele só realmente perdeu a paciência com o lado ruim da religião. Algo que eu também perdi.

Continuando, Dawkins teve um natal ruim devido a uma nova pesquisa realizada entre os professores de ciências da Inglaterra e publicada no dia 24. Segundo a pesquisa, 30% destes professores acreditam que o criacionismo deveria ser ensinado junto com a Teoria da Evolução nas escolas. Sim, é isso mesmo que você está lendo. Professores de ciências, não de filosofia, história ou geografia. Professores de ciências defendem que o criacionismo seja ensinado em escolas públicas da Grã-Bretanha. Adivinha a opinião do Dawkins? Ele classificou este resultado de "vergonha nacional". Depois ainda perguntam porque ele defende tanto seus argumentos. Podemos questionar o seu posicionamento em relação a religião em geral, mas defender criacionismo nas escolas é algo realmente impensável. Quem diria que países considerados "desenvolvidos" pudessem apresentar este quadro. Podemos perceber que o problema da pseudo ciência está muito além da educação básica.

Uma frase do professor britânico Michael Reiss quase me fez cair da cadeira. Ele é ex-diretor de educação da Royal Society. Em setembro deste ano pediu demissão, devido a polêmica gerada pelo seu posicionamento a favor do criacionismo.

"O simples fato de uma determinada coisa não ter fundamento científico não me parece ser razão suficiente para justificar a exclusão do tema de uma aula de ciências."

Ah, então entendi. Não é preciso ter fundamento científico para algo ser discutido nas aulas de ciências? O que é preciso então? Daqui a pouco vamos ter cursos de homeopatia e florais em universidades...bem, já temos.

Para ler mais sobre esta pesquisa, veja a reportagem completa no sítio do jornal O Estado de S. Paulo.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Top 10 dos artigos sobre evolução da NewScientist

Continuando o clima de final de ano cheio de "tops", gostaria de indicar um Top 10 realmente interessante. O site da NewScientist publicou ontem um artigo com uma coletânea dos 10 melhores artigos de 2008 cujo tema principal é evolução. O mais interessante é que o acesso aos textos de 2008 do site estão com acesso livre. Cito abaixo dois exemplos:

  • A evolução do flagelo bacteriano
Um dos argumentos clássicos dos defensores do design inteligente, além da evolução do olho humano, é que não teriam passos intermediários na evolução do flagelo das bactérias. Desta forma, eles argumentam sobre a necessidade de um controlador, um designer para a existência destes flagelos. A discussão de forma mais científica deste assunto é o tema do artigo "Descobrindo a evolução do flagelo bacteriano".

  • Evolução: mitos e equívocos
Artigo que reúne 24 mitos e equívocos sobre a tão conhecida e pouco entendida teoria da ciência. Na verdade muitos preferem não chamar a Evolução de teoria, já que este termo popularmente denota algo que não tem provas, não confirmado. Vale a pena dar uma lida nos 24 mitos e equívocos sobre evolução.


Além destes dois artigos posso citar o sobre evolução dos vírus como uma grande leitura de férias. Leia todos os 10 artigos sobre evolução diretamente no site da NewScientist.

Para ler mais posts sobre evolução, clique aqui.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O triste natal dos pinheiros de natal



"Merda, aí vem os psicopatas!"
"Corram...corram por suas vidas!"
"Porque este holocausto acontece ano após ano! O que nós fizemos para eles?"


Tudo na vida é uma questão de ponto de vista. Bom natal para todos.

Tirinha do imperdível wulffmorgenthaler.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Hambúrguer de canguru não vai salvar o planeta

O título deste post é um ataque a notícia sensacionalista que a imprensa mundial vinculou nos últimos meses (por exemplo, BBC e NewScientist) sobre a falácia de que devemos todos comer carne de canguru para contribuir menos com as "mudanças climáticas". Pelo menos seria melhor do que comer mato o resto da vida como dizem os vegetarianos, tudo para "salvar" o planeta. Existem argumentos bem melhores para consumirmos mesmos carne, como o maltrato dos animais ou problemas de saúde. Mas utilizar aquecimento global para defender uma opção pessoal de alimentação é uma coisa que me deixa muito mal humorado.

Bem, vamos começar do início. Grande parte desta histeria contra o gado veio após um relatório divulgado pela FAO (orgão da Organização das Nações Unidas para alimentos e agricultura) em 2006, intitulado de forma não menos sensacionalista de "Livestock's Long Shadow". Algo como a "A grande sombra do gado", num tom bem cataclístico como o famoso "Verdade incoveniente". O relatório completo pode ser baixado no sítio da FAO.



Capa do relatório da FAO. Sensacionalista? Não, que isso...


Tirando o título e a capa sensasionalistas, o relatório da FAO não é ruim, longe disso. É bem completo, sendo dividido em 13 partes. Agora uma pergunta. A frase deste relatório mais difundida pela mídia, mais citada em sites e blogs vegetarianos se encontra em qual parte? Um Cheddar McMelt para quem acertar. Sim, você deve ter acertado. Na parte 1! Bem naquela chamada de "Resumo executivo", que poderia ser chamada também de "Bando de frases soltas que são mal interpretadas fora de contexto". Para quem ainda não conhece a frase...

"O setor do gado é um importate protagonista, responsável por 18 porcento das emissões de gases de efeito estufa. Isso é uma parcela maior que o setor de transporte."
FAO. 2006. Livestock's Long Shadow. Resumo executivo. Página XXI.


Pronto. Para que ler o resto do relatório? Tenho certeza que todos podem entender a força de uma frase com este tom, escrita por um orgão da ONU, na mídia mundial. Uma bomba. Agora esta informação virou uma verdade absoluta. Ninguém vai questionar. Tem a chancela da ONU! Bem, como neste blog nós somos chatos críticos, vamos questionar sim. Vamos começar com uma pergunta simples. O que é gado?

gado1
sm (do ant gãar, do gót ganan) 1 Animais, geralmente criados no campo, para serviços agrícolas e consumo doméstico, ou para fins industriais e comerciais. 2 Rebanho. 3 ch Meretriz. G. asinino: o que compreende os asnos. G. bovino: o que compreende vacas, bois e novilhos; também chamado gado vacum. G. caprino: o que compreende as cabras. G. cavalar: o que compreende os cavalos; também chamado gado eqüino. G. de bico: aves domésticas.
Dicionário Michaelis. Editora Melhoramentos.


Muita gente acha que o termo "gado" refere-se so
mente ao gado bovino, que é, na verdade, uma subdivisão dentro de gado. O relatório não fala sobre essa divisão no resumo executivo, então 99% das pessoas não tem contato com este conceito, o que pode levar a um erro. Podemos tirar dados do próprio relatório que mostram que o papel da criação de outros animais pode ser bem relevante. Mas depois chegamos neste assunto. Vamos voltar a frase do resumo executivo. Alguém viu alguma citação? Claro que não. Elas estão todas juntas no final do relatório, em um capítulo aparte. Assim não podemos saber de onde cada dado é retirado. Mas podemos chegar a algumas conclusões. Como o relatório da FAO é de 2006, as citações de dados sobre aquecimento global restringem-se ao relatório do IPCC de 2001. O que nos mostra que este relatório já foi publicado de forma defasada. Em 2007, o IPCC publicou o seu relatório mais recente. Vamos dar uma olhada nestes números.



Participação dos diferentes setores na emissão antropogênica total de gases de efeito estufa em CO2 equivalente. Crédito: IPCC (quarto relatório, 2007)


O setor da "agricultura" do IPCC inclui a criação de gado. Então além do gado, temos toda a emissão de gases de efeito estufa (GEE) do uso da terra em todas as plantações do mundo. Somando tudo isso, temos uma participação muito próxima a do setor de "transporte". Esta afirmação é muito diferente da retirada do relatório da FAO, que afirmava que a emissão do setor "gado" sozinho era maior que o do transporte.

Agora que vimos que a frase muito utilizada pela mídia do relatório da FAO deve ser considerada de forma menos enfática, vamos entrar no relatório em si. Como eu disse anteriormente, ele é bem completo e pode ser melhor utilizado. A tabela abaixo mostra como foi feito o cálculo do número mágico de 18%.



Clique para ampliar
O papel do gado na emissão de gás carbônico, metano e dióxido nitroso. Página 113. Livestock's Long Shadow. Crédito: FAO



Vamos analisar a tabela. Uma coisa que me chamou muito a atenção foi a divisão entre o tipo de sistema (extensivo e intensivo) utilizado para a produção de gado. Para a obtenção do dado de emissão de cada GEE foi feita a soma do total de emissão de ambos os sistemas. O que é óbvio, pois se você que ter uma noção geral da emissão de GEE pelo gado do mundo temos que levar em consideração ambos os sistemas. Mas podemos ver la embaixo da tabela um dado interessante. Vamos ver mais de perto.





É isso mesmo que você está pensando. A emissão de GEE pelo sistema extensivo é mais que o dobro do sistema intensivo. E essa análise não para por aí. Além da diferenciação entre sistemas de criação de gado, o relatório também considera as grandes discrepâncias nas diferentes etapas do processo. e de qual tipo de animal estamos falando. Se considerarmos apenas as emissões diretas pela liberação de metano do sistema digestivo, o gado bovino pode ser considerado como líder. Mas e os nas outras etapas? O tratamento do esgoto gerado pela criação de animais pode ser uma importante fonte de gases de efeito estufa deste setor. Neste caso, a criação de porcos é a campeã em emissão de metano. A emissão dos porcos sozinha ultrapassa a emissão anual do gado bovino, em mais de 1 milhão de toneladas de metano (totalizando 8,38 milhões de toneladas de metano por ano).

Além desta análise mais minuciosa dos dados, o relatório da FAO apresenta dezenas de vias mitigadoras da parcela de emissão de gases estufa do setor de criação de gado. Eles dedicam um capítulo inteiro a este tema, chamado "Desafio político e opções". Dentre elas, podemos citar: melhoria da eficiência dos sistemas de criação de gado, alteração da dieta dos animais, melhor sistema de tratamento do esgoto gerado, aumento do custo da água, solo e tratamento do esgoto (racionalizando o seu uso), etc.

Hoje em dia está cada vez mais na moda ser "verde", pensar no meio ambiente. Mas quando fazemos isso de uma forma acrítica, podemos cometer erros tão grandes ou até piores do que os que não tem informação sobre o meio ambiente. Pensem em quantos erros já foram feitos em nome de uma boa causa. Alguém lembra de luta contra o "terrorismo"? Problemas existem, a criação de gado gera gases de efeito estufa em grande quantidade. Mas as vacas estão longe de serem terroristas. E muito menos os cangurus de serem "O" salvador.



Múúúúú. Crédito: publicenergy

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Como andou a temperatura da Terra em 2008?




Tendência da temperatura global tendo como linha de base 1999. Fonte: RealClimate


Como podemos ver no gráfico acima, nada mudou desde a última década. A anomalia de temperatura da Terra sofreu um certo aumento mas recuou para próximo da linha de base. Então podemos ficar tranqüilos. Todo esse papo de aquecimento global não passa de especulação. Bem, na verdade não é tão simples assim. O gráfico acima foi uma demonstração feita pelo pesquisador Gavin Schmidt em seu blog, mostrando como a análise baseada em relativa curta escala de tempo pode implicar em conclusões erradas em relação ao padrão estudado. O gráfico abaixo foi publicado esta semana pela NASA e mostra um padrão bem diferenciado.



Tendência da temperatura global de 1880 até 2008. Crédito: NASA


Podemos ver claramente neste segundo gráfico o efeito da escolha do ano de base em uma análise temporal. O final da década de 90 foi marcado por uma forte oscilação na temperatura (ainda não explicada). Então a escolha de anos como 1997,1998 ou 1999 como ano base para a comparação pode levar a uma conclusão enviesada da tendência. Se escolhermos um ano em que a temperatura registrada era muito alta (como o escolhido por gavin, 1999), o aumento da temperatura nas últimas décadas seria "escondido". Como lembrou Gavin, quem se mostra surpreso com o primeiro gráfico deve ser muito ingênuo... ou não. Gráficos sobre aquecimento global existem muitos na internet e cada um utiliza apenas uma parte deles para confirmar o seu argumento. Prefiro mostrar ambos, assim podemos ter uma reflexão melhor sobre o que é divulgado.

Agora voltando a análise temporal longa. Várias agências como NASA e o NOAA resolveram publicar esta semana os padrões de temperatura registrados neste ano. O último ano meteorológico segundo a NASA (de dezembro de 2007 a novembro de 2008) está entre o sétimo e o décimo segundo mais quente desde que medidas meteorológicas sistemáticas começaram a ser feitas, em 1880. Outra informação importante é que, segundo a mesma agência, dentre os anos mais quentes deste registro, nove ocorreram depois de 1998 (vejam como o ano de 1998 foi muito atípico).

Mais um ponto para o IPCC. Vamos aguardar o próximo ano e conferir as tendências. O mundo não vai acabar como dizem os ambientalistas, mas parece que estamos caminhando para um futuro mais quente. Sendo assim, devemos investir cada vez mais em adaptação a estas mudanças.

Leia mais sobre os dados de temperatura em 2008 no New York Times.
Para ver outros posts sobre Aquecimento Global, clique aqui.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Lago Vitória: exemplo da falta de conhecimento científico

A iniciativa da blogagem coletiva sobre o continente africano é louvável. Com seu histórico de super exploração e degradação ambiental, este continente merece atenção e maiores investimentos em pesquisa.

Um exemplo extremo de como a falta de conhecimento homem pode afetar negativamento um ecossistema seria o caso do Lago Vitória. Este é o segundo maior lago do mundo, com aproximadamente 68.800 Km² ( quase do tamanho da Irlanda), localizado na África oriental (Vale do Rift). Na década de 50, foi introduzido neste lago a espécie de peixe chamada perca do nilo (Lates niloticus). Esta espécie é um predador voraz e pode chegar a pesar 200 Kg. Esta introdução teve objetivo de aumentar o estoque pesqueiro deste lago (vide o peso que esse peixe pode atingir), além de incentivar o turismo, pois este peixe é caracterizado por ser esportivo (mais emoção na pescaria).

A partir deste momento, o pesadelo começou. A perca do nilo se alimenta de ciclídeos nativos do lago. Só que o problema é que ela se alimenta muito! Imagina o quanto ela tem que comer para chegar a 200 Kg? Deste modo, ela praticamente dizimou quase que todas as outras espécies de peixes do lago. Com isso, a dieta dos moradores que habitavam o entorno do lago ficou restringida a perca.

Vocês acham que os problemas acabaram? Não!!! Tem mais ainda! A perca possui alto teor de gordura na sua carne. Assim, o que é feito para a conservação de carnes deste tipo? Defumamos. Com isso, um novo problema é gerado. Houve um intenso desmatamento das florestas em volta do lago para queima de madeira e, assim, com a fumaça, a defumação da carne da perca. Olha o efeito em cascata.

Além disso, outro grave problema de saúde humana. Simplesmente, não perguntaram para os nativos do entorno do lago se eles apreciavam a carne deste peixe. E olhem só! Eles não gostavam! Preferiam as espécies dizimadas pela perca do nilo. Então o que aconteceu? Enorme pressão de caça sobre animais terrestres para suplementar a dieta destas pessoas. Assim, toda a carne de peixe produzida no lago era industrializada e exportada para países asiáticos.

Esse foi parte do problema de origem animal. Entretanto, ainda existe um de origem vegetal. Para fins estéticos (isso mesmo, estéticos) foi introduzida uma espécie de macrófita aquática chamada Eichhornia crassipes (originária daqui das Américas, comumente conhecida como aguapé). Esta macrófita flutuante teve um super crescimento devido a falta de predadores, além do crescente processo de eutrofização do lago. Ambos possibilitaram que este vegetal se tornasse uma praga e prejudicasse a navegabilidade no lago.

Atualmente, o lago Vitória sofre outra ameaça. Devido a construção de barragens para hidrelétricas em alguns rios de desagüam no lago, o nível d'água diminuiu por volta de 2 metros entre 2000-2006. Com isso, alguns alagadiços nas margens do lago secaram, causando a mortandade de juvenis de algumas espécies de peixe. Isto porque elas usavam estas áreas como berçário.

Bem, tentei aqui ilustrar como o homem pode afetar um ecossistema inteiro por falta de conhecimento. Neste caso é clara a importância do cientista (aqui, do Biólogo) para (em uma visão antropocêntrica) saúde humana e (numa visão mais justa) para a natureza no geral. Quando perguntam qual o valor de um médico, qualquer um sabe responder no exato momento. E agora, alguém tem dúvida de qual o valor do Biólogo? Mais claro que isso, IMPOSSÍVEL.

Para uma melhor visualização do estrago, assista o documentário "O pesadelo de Darwin". Ele foi indicado ao Oscar de melhor documentário em 2006 e ganhou outros 8 prêmios internacionais. A versão abaixo está com legenda em espanhol.



  • Primeira parte


  • Segunda parte

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Aquecimento global é um fenômeno natural



"65 milhões de anos atrás - Relaxem. É só um asteróide. Asteróides são naturais."
"79 D.C. - Não se preocupe Pompeii, é só um vulcão! Vulcões são perfeitamente naturais...!"
"14 de abril, 1912 - Boas notícias para todos - parece que atingimos um iceberg! Com certeza temos sorte já que icebergs são naturais...!"
"Hoje - Secas, enchentes, clima 'selvagem', ciclones, aumento do nível do mar, toda essa coisa de mudanças climáticas...tudo natural."



Sendo natural ou não, a discussão sobre a mitigação dos efeitos da aceleração do efeito estufa é mais do que necessária. Lógico, sem ambientalismo sensacionalismo.

Uma tirinha do químico neozelandês Nicholas Kim

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Uso de animais em pesquisa - campanha da FAPERJ

Depois de muita discussão infundada pela grande mídia brasileira sobre o tema, no último mês de outubro foi sancionada a lei que regulamenta o uso de animais em pesquisa científica no Brasil. Um dos grandes tópicos desta lei é a criação do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), responsável por credenciar instituições para criação e utilização de animais destinados a fins científicos e estabelecer normas para o uso e cuidado dos animais. Participarão do conselho a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), representantes dos ministérios da Educação, do Meio Ambiente, da Saúde e da Agricultura; o CNPq; o Conselho de Reitores das Universidades do Brasil (Crub); a Academia Brasileira de Ciências (ABC); a Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE); Colégio Brasileiro de Experimentação Animal (Cobea); Federação Nacional da Indústria Farmacêutica; e dois representantes de sociedades protetoras dos animais legalmente estabelecidas no país.

Não consegui achar nada no sítio da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) sobre o assunto, mas achei muito interessante o conteúdo destes cartazes, fixados no corredor do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, no Centro de Ciências da Saúde, UFRJ. Se em algum momento os "defensores" de animais pensassem seriamente no conteúdo destes cartazes, tenho certeza que eles concentrariam esforços em regulamentar o uso de animais em pesquisa e não em proibir. Seguem abaixo as fotos que eu fiz dos dois cartazes.


Animal Use in Research - Brazilian CampaignAnimal Use in Research - Brazilian Campaign

PS.: Desculpem a baixa qualidade, fiz as fotos com o meu celular.

Para saber mais sobre a lei aprovada em outubro, clique aqui.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Fomos recomendados pelo site da UEG

Semana passada nosso blog foi recomendado pelo site da Universidade Estadual de Goiás nos links da semana. Quem indicou o nosso link foi o Prof. Ronaldo Angelini e autor do blog Bafana Ciência. Nessa mesma lista de recomendações também foi citado o blog Ciência Brasil do Prof. Marcelo Hermes da UnB, o que foi mais um motivo de orgulho para nós, pois é uma honra dividirmos a lista com blogs desse nível.


Clique aqui e veja a lista completa dos sites recomendos.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Fotografia científica: joaninha


A joaninha pode ser considerada como um caso aparte dentro da ordem coleoptera (grupo que reúne os besouros). Talvez seja devido ao nome popular em português (ou inglês também, "ladybug") ou devido a grande quantidade de desenhos animados, brinquedos e afins que retrataram este curioso animal. Não sei. Mas uma coisa que eu tenho certeza é que toda a criança (e muitos adultos também) acham que todas as joaninhas são fêmeas. Talvez para nós humanos milhares de anos de evolução que resultaram em um par de asas de coloração vermelha com círculos pretos (podem ser de outras cores também) que formam um sinal de advertência para os predadores, teve um efeito adverso. Bem, não tão adverso. Nós humanos evitamos sim predar joaninhas. Mas não pelo medo de obter um alimento de gosto ruim ou venenoso (mecanismo chamado de aposematismo). Mas por achar este animal "bonitinho" e que ele "não faz mal a ninguém".

"Quem você está chamando de 'dama'?!", diz a joaninha Francis de "Vida de Inseto".


Bem, podemos dizer que as joaninhas estão longe de "não fazer mal a ninguém", principalmente se você for da ordem Hemiptera e atender por "pulgão". Numa segunda-feira monótona uma única joaninha pode comer até 50 pulgões, o que é bem significativo para alguém do seu tamanho (elas variam de 1mm a 10mm, aproximadamente). Se você tem uma horta em casa e está cansado de perder grande parte das suas plantas para os pulgões, tente controlar esta "praga" contratando uma ajuda de peso, quer dizer, pouco peso. Lá fora eles vendem joaninhas até em supermercado.



Problemas com pulgão? Seus problemas acabaram! Use 1500 joaninhas em seu jardim e troque um desequilíbrio ecológico por outro! Crédito: pinprick


Agora vamos ao que interessa. A hora da verdade.



"É impossível comer um só". Crédito: HOOKSM


Depois de uma farta refeição, nada como um bom descanso. Bem, não tão bom assim. As joaninhas estão longe de serem predadores de topo. Bem longe.



Libélula acabando com a soneca depois do almoço de uma joaninha. Crédito: Mad Sun


Da próxima vez que uma joaninha pousar em você, pense duas vezes. Você está encarando um predador voraz. Pelo menos para animais milimétricos.

Para ver mais posts sobre fotografia científica, clique aqui.


sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Como tartarugas lembram onde nasceram?



"É muito fácil chegar lá em casa. Pegue a trigésima ilha à esquerda depois daquela ilha vulcânica, siga uns 500 Km...". Crédito: nadi0


Este mistério que persegue cientistas há décadas ganha mais uma proposta. Segundo o biólogo marinho Kenneth Lohmann a resposta está nos campos magnéticos. "O que nós estamos propondo é que tartarugas (...), quando nascem, basicamente aprendem ou têm marcado de alguma forma o campo magnético da sua área de nascimento.", disse o biólogo marinho ao National Geographic News.

O experimento feito por Lohmann foi interessante. Ele alterou o campo magnético de uma área fechada de água onde as tartarugas estavam e precebeu que a direção para onde elas nadavam mudou. Este experimento mostra que campos magnéticos podem alterar a natação de uma espécie de tartaruga, mas não mostra se este fator tem um efeito no movimento migratório de tartarugas. Para provar o efeito de alteração do campo magnético na migração destes animais seria necessário um experimento muito mais complexo, onde as tartarugas seriam rastreadas e testadas em mar aberto. O artigo que descreve o experimento feito por Kenneth Lohmann será publicado no periódico PNAS.

Vi no 80beats, um blog da revista DISCOVER.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Ainda sobre as enchentes

Semana passada falei um pouco sobre o histórico de enchentes em Santa Catarina, o que eu chamei de "mais do mesmo". Esta semana o Olhar Virtual (publicação da coordenadoria de comunicação da UFRJ) publicou uma entravista com Jorge Xavier, chefe do departamento de Geografia da UFRJ. Ele faz uma crítica à mídia que dá aos fatos um tom de novidade, quando na verdade o que temos é uma repetição. Selecionei abaixo alguns trechos da entrevista.

"A fim de mitigar os efeitos de uma chuva de grande porte, devem ser criados planos de contingência, isto é, um levantamento prévio dos locais que podem ser atingidos, uma avaliação de prioridades no que diz respeito à aplicação de recursos e de tempo e um estudo prévio da distribuição dos recursos caso o acidente seja inevitável. (...) diante de uma tragédia como essa, considero válido o envio de verbas feito pelo Governo Federal. Mas devemos ter em mente que esse dinheiro está sendo mal aplicado. Ele deveria ser empregado em ações preventivas. É preciso que os governantes deixem de agir apenas em situações críticas, quando não fazer nada significa uma perda política."

Acho que o Jorge Xavier citou um ponto crucial. Esta semana o prefeito do Rio anunciou o investimento de mais de 10 milhões de reais em um plano de prevenção de enchentes, intitulado "Plano Diretor de Manejo de Águas Pluviais". Medidas como cadastro de 900 quilômetros de rede de drenagem, a inspeção de 1.500 quilômetros de rios e galerias e a aquisição de 40 estações hidrológicas estão previstas. Tirando a questão política de que o vencedor da licitação será anunciado apenas 2 dias antes do fim do mandato do prefeito, acho que medidas como essa são válidas. Botar a culpa de tudo isso no aquecimento global é fácil. O Carlos Nobre apareceu em vários jornais para falar sobre isso. Esse tipo de notícia dá muita audiência. Investir em prevenção é muito mais complicado e, com certeza, não dá audiência.

No final da entrevista, o professor Jorge Xavier lembra do papel de pesquisadores, governo e mídia neste tipo de caso.

"(...) para que tragédias desse tipo não voltem a acontecer é preciso haver uma ajuda mútua entre os pesquisadores e o governo. E também é necessário que a mídia esteja sempre nos lembrando dos efeitos dessa ocorrência evitando que os erros do passado se repitam, no futuro."

Para ver a entrevista completa, leia a reportagem de Lorena Ferraz para o Olhar Virtual.


UPDATE
(12:36 - 05/12/08)



No meio de uma conversa com a Paula sobre a tragédia em Santa Cararina, descobri uma coisa interessante. A famosa Oktoberfest de Blumenau teve origem em um outro evento catastrófico. Vocês conseguem saber qual foi? Uma enchente! Abaixo um trecho sobre a história do evento.

"A Oktoberfest de Blumenau teve sua primeira edição em 1984, logo após a grande enchente em Blumenau, em 1983 Blumenau foi quase totalmente destruída pelas águas do rio Itajai Açu. Inundadas até os telhados, na vazante as casas eram apenas restos enlameados das até então belas casinhas com jeito europeu, caiadas e com cercas cuidadas, muitas flores e frontais de madeira envernizada. Demorou um bom tempo até que a cidade pudesse voltar à uma certa normalidade, com o apoio da prefeitura e do governo do Estado. Mas cada chuva se transformava em uma ameaça. Em 1984, antes mesmo que a cidade estivesse funcionando normalmente, uma nova enchente, de proporções maiores para uma cidade ainda em recuperação da enchente anterior, destruiu Blumenau. "Completamente", dizem alguns blumenauenses. "Menos a coragem do povo", dizem outros..."

Para ler mais sobre a famosa Oktoberfest de Blumenau, entrem aqui.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Duas espécies no mesmo nicho?

Cada espécie ocupa um lugar no espaço. Esse espaço pode ser o espaço físico (dois corpos não ocupam o mesmo lugar ao mesmo tempo), porém existem outras dimensões deste espaço. O espaço ocupado no que se refere a exploração preferencial de um recurso, por exemplo. Ou o espaço ocupado pela a área de vida ótima. Esse espaço não é somente um aspecto físico, mas também um aspecto biológico, químico e até comportamental (ouso a falar, psicológico), isto é, cada recurso requerido pela espécie contará com uma dimensão desse hipervolume. Então dizemos que nicho é o espaço n dimensional (quanto mais você pesquisar, mais aspectos serão descobertos como sendo característicos de uma espécie, sendo assim, mais dimensões) onde uma espécie pode sobreviver, crescer, reproduzir e manter uma população viável. Com isso, podemos concluir que existe competição entre espécies quando alguma dessas dimensões são exploradas concomitantemente. Ambas necessitam do recurso, assim, a espécie que melhor explorar este recurso, sairá vencedora.

Este tipo de definição de nicho é chamada de nicho Hutchinsoniano, em homenagem a George Evelyn Hutchinson. Foi este importante zoólogo americano que propôs essa definição de nicho. Ele é considerado o pai da Limnologia moderna e faleceu em 30 de maio de 1991. Eu, Breno, por coincidência, fiz minha inciação científica e mestrado na área da Limnologia.


Semelhança entre espécies diferentes de borboletas



Na última edição da PLoS Biology, um grupo de pesquisadores mostrou que algumas espécies de borboletas que desenvolveram padrões similares de asas (o que alerta aos seus predadores que elas não possuem sabor muito bom, podendo até serem venenosas) não são próximas evolutivamente. Isto quer dizer que o ancestral comum entre elas é bastante afastado. Indicando que a similaridade não foi uma questão de ancestralidade e sim de adaptação evolutiva. Além disso, eles descobriram que borboletas que apresentam esses padrões de asas semelhantes possuem nichos bastante semelhantes também (por exemplo, voam nas mesmas alturas e preferem o mesmo tipo de vegetação). Os pesquisadores alegam que este comportamento maximiza os benefícios da aparência similar (se aproveitam do fato da possibilidade predadores aprenderem que elas não são palatáveis).

Deste modo, não somente a competição entre espécies pode atuar como fator primordial para a evolução, mas outros tipos de interações (como as mutualísticas) têm importante papel neste fenômeno.

Mas é importante lembrar aqui, que vale uma questão para pensar. Como eu disse, quer dizer, como Hutchinson disse, o nicho é n dimensional. Será que estas espécies parecidas dividem todas as dimensões (ou recursos) do nicho delas? Será que pesquisamos o suficiente para saber tudo o que influencia no sucesso destas espécies? Bem, acredito que não. Acredito que nuances desta sobreposição de nicho não são possíveis de se observar (por enquanto), daí as relações mutualistícas e não a competição. Pois por mais que possam compartilhar o mesmo tipo de floresta, a diversidade de fontes alimentares é enorme. Ou mesmo que a fonte alimentar seja a mesma, se explorarem em horários diferentes, podem nunca se esbarrar. E assim, não precisam competir. É..., questões a se debater....

Fonte: Eurekalert!

Referência:
Elias M, Gompert Z, Jiggins C, Willmott K (2008) Mutualistic interactions drive ecological niche convergence in a diverse butterfly community. PLoS Biol 6(12): e300.doi:10.1371/ journal.pbio.0060300

sábado, 29 de novembro de 2008

Desastre em Santa Catarina: mais do mesmo

Segundo o jornalista, escritor e historiador Ricardo Moreira de Mesquita, a tragédia que ocorreu em Santa Catarina não é nenhuma novidade. Ele faz um histórico de outros eventos climáticos nesta mesma região, mostrando que nem sempre aprendemos com nossos erros.

"As enchentes em Santa Catarina são históricas, mas precisam deixar de ser. Não existem méritos quando a ocupação humana desordenada favorece fenômenos naturais que ceifam vidas.(...) O desmatamento, a ocupação desordenada das encostas, a omissão dos poderes públicos no controle demográfico de regiões de risco, associados à especulação imobiliária, lavouras e plantações desordenadas nos picos dos morros, agravam os eventos."

O artigo foi publicado no jornal Folha de SP. Para ler o artigo completo, clique aqui.


sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Um dia é da caça...



Isso me lembra outro baixinho enfezado. Vejam o vídeo dele encarando o caçador e depois partindo para o ataque. Acho melhor ele procurar algum bicho menos marrento.

Só poderia ser do FAILblog.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Alfred Wallace – O evolucionista esquecido



Alfred Russel Wallace antes da sua viagem para a Amazônia, em 1848. Fonte: The Alfred Russel Wallace Page.


O fotógrafo inglês Fred Langford Edwards é o idealizador de uma exposição cujo nome intitula este post e que está sendo realizada desde julho no País de Gales e ficará até dezembro no Shopping Millenium Center, em Manaus. Depois, a exposição será apresentada em Brasília e em São Paulo, em lugares a serem definidos (esse tipo de exposição nunca chega no Rio...). A exposição é baseada em 50 fotografias feitas a partir de gravuras de peixes e palmeiras desenhadas por Wallace de 1848 a 1852, período que esteve em solo amazônico. Além da exposição, Edwards está fazendo uma viagem fotográfica que terminará no fim do mês, refazendo a trajetória de Wallace na Amazônia. O fotógrafo registra a vida ao longo dos rios Negro e Uapés, a 852 Km de Manaus.

Diferente de Darwin, Wallace teve um "pouco" de azar. O navio em que ele voltava para a Inglaterra após a temporada na Amazônia se incendiou e grande parte do seu material coletado e suas anotações foram perdidos. Seis anos após esta tragédia, Wallace escreveu uma carta histórica para Darwin, que é considerada um dos principais motivos para a publicação de forma adiantada do famoso "Origem das espécies". Após esta carta, Darwin foi estimulado por amigos mais próximos a publicar logo suas idéias, o que culminou no artigo conjunto publicado em primeiro de julho de 1858 na Linnean Society.

A homenagem é mais do que merecida para Alfred Russel Wallace que, se não for o evolucionista esquecido, pelo menos pode ser considerado o evolucionista injustiçado. Na verdade, se formos considerar a opinião do próprio Wallace, acho que ele não ligaria para isso. Um dos livros que Wallace escreveu pós Origem das espécies se chamava "Darwinismo", clara indicação que ele achava que Darwin tinha papel central na formulação da teoria. Mas com certeza seu papel histórico deve ser sempre lembrado quando pensamos em evolução.

Para mais informações sobre o evento, veja a reportagem da Agência FAPESP.

Microorganismos intestinais e a nossa saúde


Esse blog, por muitas vezes, abordou a importância dos microorganismos na natureza. Todos os ciclos biogeoquímicos (como o do carbono, fósforo ou nitrogênio) possuem alguma etapa que seja estritamente microbiana. Além disso, observamos que cada nicho, por mais extremo que possam ser suas condições, possuem no mínimo algum tipo de microorganismos (nos casos mais extremos Archaeas).

Atualmente, os cientistas têm estudado a importância da presença de determinados tipos de microorganismos nos nossos intestinos. Eles são capazes de atuar em conjunto com o sistema digestório humano, isto é, são capazes de "digerir" materiais que escapam da digestão no trato gastrointestinal superior. Assim, através de processos fermentativos (pois como sabemos, o nosso intestino é um ambiente anóxico) são capazes de fornecer nutrientes e energia para nós seres humanos.

Entretanto, como nada na natureza é simples, essa fermentação ocorre em etapas. Estas etapas são realizadas por diferentes grupos funcionais de microorganismos ligados numa cadeia trófica. Por exemplo, comunidades microbianas hidrolíticas secretam enzimas que digerem substratos complexos em moléculas mais simples e de fácil assimilação para elas e para outros grupos de bactérias também. Outro exemplo, o hidrogênio produzido no processo de fermentação é eliminado através de sua transferência interespecífica (Archaeas metanogênicas, bactérias sulfato-redutoras e outras). Como o excesso de hidrogênio diminui a eficiência dos processos fermentativos, essa eliminação é de grande importância para o ecossistema formado no intestino e, desta forma, para a saúde dos seres humanos.

Assim, podemos observar que nossa saúde é diretamente ligada a estrutura das comunidades microbianas presentes em nossos intestinos. Grandes mudanças nessa estrutura podem ser extremamentes danosas para nossa saúde. Hoje podemos observar a grande quantidade de anúncios de iogurtes dizendo serem capaz de corrigir a "flora" (por que eles não concertam isso????) intestinal. Entretanto, podemos observar que essa dinâmica não é tão simples como eles mostram nos comerciais. Muito ainda tem que ser estudado nessa área. E com o avanço de técnicas de biologia molecular que são capazes de identificar os grupos de microorganismos presentes no nosso aparelho digestório muito ainda será descoberto nessa área.

Fonte: FEMS Microbiology Ecology

Referência:

Chassard, C. et al. 2008. Assessment of metabolic diversity within the intestinal microbiota from healthy humans using combined molecular and cultural approaches. FEMS of Microbial Ecology 66:496-504

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Como enganar uma borboleta




Não deixe de conhecer o Bichinhos de Jardim.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Aluno de pós-doc tenta envenenar colega de trabalho



Recado suspeito. Crédito: passiveagressivenotes


Segundo o blog da revista The Scientist, este caso ocorreu no Departamento de Urologia na Universidade da Califórnia. O aluno de pós-doc Benchun Liu admitiu à polícia local que tentou envenenar o seu colega de trabalho Mei Cao não só uma, mas duas vezes. Na verdade a polícia só descobriu o fato porque o potencial assassino contou à vítima sobre o ocorrido, depois da segunda tentativa. Mei Cao realmente chegou a tomar o "veneno", mas não sentiu nenhuma reação adversa. Mesmo assim foi levado para o hospital onde ficou em observação.

Benchun Liu em nenhum momento deu alguma explicação pessoal para o fato, dizendo apenas que estava "muito estressado". Fica a dica para todos os orientadores que acompanham este blog. Nunca aceite um copo d´água de um aluno sem pensar duas vezes.

Fonte: The Scientist blog.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Microalgas que não fazem fotossíntese


O título deste post não é um paradoxo. Oceanógrafos da Universidade de Santa Cruz, Califórnia descobriram um novo grupo de algas cianofíceas (mais conhecidas como cianobactérias) que não apresentam boa parte dos genes necessários para o funcionamento do fotossistema II e para a fixação de carbono, essenciais para o processo de fotossíntese tanto em cianobactérias quanto em plantas superiores. O estudo foi publicado semana passada no periódico Science.

O mais interessante deste caso é o papel ecológico deste grupo. Inicialmente alguém poderia perguntar: "Mais isso deve ser uma aberração. Este grupo não teria sucesso já que não teria como obter matéria orgânica". É aí que o assunto começa a ficar interessante.

Mesmo sendo o principal constituinte da nossa atmosfera (quase 80%), o nitrogênio gasoso (N2) não é assimilável pela maior parte dos organismos. O N2 pode ser fixado por bactérias do gênero Rhizobium, que vivem em nódulos de raízes de plantas leguminosas, e, principalmente, por cianobactérias. O processo de fixação biológica do nitrogênio (FBN) requer uma energia de ativação muito alta, desta forma está longe de ser um processo espontâneo. Além deste pequeno problema, uma das grandes restrições da FBN é a fragilidade da enzima catalizadora. A nitrogenase é altamente sensível à presença de oxigênio, que pode destruir de forma irreparável a enzima. Uma pergunta bem coerente seria: "Como uma microalga poderia realizar um processo onde a enzima catalizadora é muito sensível ao oxigênio?". A seleção natural deu um jeito neste pequeno problema. Alguns grupos de cianobactérias filamentosas que fixam nitrogênio gasoso apresentam uma célula chamada heterocisto, que cria um ambiente microanaeróbico onde a enzima nitrogenase pode trabalhar sem sobressaltos.



Heterocisto (parte central da foto) de Anabaena sperica. Crédito: Wikipedia


Mas nem todos os grupos de cianobactérias têm heterocistos. Desta forma, a maior parte só consegue fixar nitrogênio a noite, quando não estão fazendo fotossíntese. Acho que agora ficou mais fácil de entender qual seria o papel ecológico deste grupo de cianobactéria. A falta de genes que são essenciais para a realização do processo de fotossíntese fez com que este grupo passasse a fixar nitrogênio durante o dia todo, mesmo sem uma estrutura especializada para proteger a nitrogenase. Sendo um grupo muito abundante em oceanos, a taxa de fixação de nitrogênio total neste ambiente pode sofrer um acréscimo considerável, tendo grande relevância ecológica. Quanto ao problema do grupo de microalgas descoberto não ter uma fonte de carbono devido a não realização da fotossíntese, existem duas hipóteses principais: essas microalgas podem estar se alimentando de alguma forma diretamente de matéria orgânica (como já ocorre em outros grupos) ou em simbiose com algum outro organismo.

Acho incrível como um processo de tamanha importância evolutiva como a fotossíntese pode ter sido "esquecido" por este grupo de algas. Tentem imaginar o tamanho da pressão seletiva para um grupo de cianobactérias ter se mantido, reproduzido e tornar-se dominante em seu ecossistema sem realizar um processo que alterou de forma marcante a vida em nosso planeta, tendo evoluído a mais de 2 bilhões de anos atrás.

Outras informações de forma bem palatável sobre o artigo podem ser vistas na ScienceNOW e no Eurikalert!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Caminhos de Darwin no Rio de Janeiro





"Em comemoração aos 200 anos do nascimento de Charles Darwin e pelos 150 anos de publicação de seu livro clássico 'A Origem das Espécies' o Ministério da Ciência e Tecnologia e instituições científicas do Rio de Janeiro estão organizando a 'Expedição Caminhos de Darwin', que contará com a presença de seu tataraneto, Randal Keynes, e percorrerá o mesmo caminho que fez o naturalista quando esteve no Rio de Janeiro, em 1832. Prevista para os dias 26, 27, 28 e 29 de novembro, a expedição envolverá 12 municípios e terá a participação de cientistas, professores, alunos e jornalistas.

Durante a viagem serão inauguradas placas comemorativas, com mapa do Estado sinalizando o trajeto de Darwin e observações do seu diário sobre o referido lugar. Palestras de divulgação científica sobre o que o naturalista observou em cada local, exibição de vídeos, exposição, apresentação das espécies citadas em seu diário e do hino nacional cantado em Tupi Guarani por alunos de Araruama, estão entre as atividades previstas nas inaugurações.

A expedição também ressaltará a importância da viagem do naturalista para a ciência e para a preservação do patrimônio histórico e geológico da região. Ela terá o seguinte trajeto: Rio de Janeiro (Jardim Botânico), Maricá, Saquarema, Araruama, São Pedro da Aldeia, Fazenda Campos Novos (Cabo Frio), Barra de São João, Macaé, Conceição de Macabu, Rio Bonito, Itaboraí e Niterói."


Para saber mais sobre o evento, veja o flyer com as datas e lugares onde serão realizadas as intervenções.

Para saber mais informações tanto sobre o evento deste ano, quanto sobre a passagem de Darwin pelo Rio de Janeiro em 1832, visite o bem elaborado sítio do evento.


PS.: O texto é uma reprodução do vinculado pelos organizadores do evento. Gostei muito da idéia da placa com o trajeto, citações do texto original, etc. Mais porque diabos os alunos de Araruama vão cantar o hino nacional em Tupi Guarani?


terça-feira, 18 de novembro de 2008

Qual o valor de um projeto científico?


Hoje de tarde, ao ler a Nature News me deparei com uma notícia que discutia financiamento de pesquisas científicas. O foco dela era um experimento nos EUA que simulava o crescimento de florestas em uma atmosfera com 550ppm de CO2. Em um primeiro momento, achei muito interessante pois era um experimento enorme (realizado na própria floresta), porém no meio da leitura me deparo com as cifras do projeto. Eram duas localidades analisadas, sendo que em uma eram gastos $3 milhões de dólares (sendo $900.000 somente com o contínuo acréscimo de CO2 na atmosfera e com a engenharia do projeto) e no outro eram gastos $2 milhões de dólares, sendo que a escala de tempo era anual! (isto mesmo, $5 milhões de dólares por ano!)

Parei, pensei e analisei a situação brasileira. Por exemplo, vejo alguns institutos de pesquisa aqui da UFRJ com grandes projetos, alguns custando milhões de reais. Desenvolvimento de tecnologias envolvendo a exploração do petróleo são extremamente incentivadas, bem como o estudo de doenças genéticas extremamente raras na população. Todas estas pesquisas são de grande importância, não existe o que discutir sobre isto.

Indo um pouco mais além, vejo laboratórios super modernos, com equipamentos de milhões de dólares (microscópios eletrônicos, seqüênciadores, pirosequenciadores, espectrômetros de massa e outros), porém outros laboratórios o equipamento mais caro é o computador ou algum outro aparelho que não chega nem ao custo de operação mensal de alguns destes super equipamentos. Claro, algumas pesquisas não necessitam de aparelhos mais refinados, e nem por isso são menos importantes. Toda vertente científica tem seu valor intrínseco. O conhecimento não tem preço. Porém porque o orçamento de alguns laboratórios varia por volta de R$10.000 e outros por volta de milhões de reais?

A questão que quero chegar é que vejo algumas áreas da pesquisa científica sendo super valorizadas. Grandes somas de recursos são destinados a elas, mas será que isso é de extrema importância para o lavrador que mora no interior do nordeste? Deciframos o genoma humano, mas ainda sofremos com surtos de dengue, malária e outros. A doença de Chagas ainda mata milhares de pessoas. Indo mais além, queremos analisar como crescerão as florestas com uma atmosfera com 550ppm de CO2 na atmosfera, mas talvez antes disso não teremos mais a nossa Mata Atlântica.

Na minha humilde opinião observo que os recursos são distribuídos de maneira tendenciosa. Moda? Foco na mídia? Melhores publicações? Importância do chefe do laboratório dentro da universidade? Valorização de pesquisas parecidas com as feitas nos países desenvolvidos? Não posso dizer que é uma coisa só. São várias ao mesmo tempo.

Precisamos valorizar a pesquisa nacional, pesquisa para os nossos problemas (ambientais, sanitários, o que for). É claro que temos que participar de pesquisas de ponta, nosso país precisa disso. Porém não podemos canalizar a maioria dos financiamentos para estas frentes. Não podemos querer ficar imitando pesquisas de países desenvolvidos. Nossas crianças ainda morrem por desnutrição, milhares de pessoas não tem atendimento médico nem acesso a educação.

É... nós cientistas dentro de nossas salas com ar-condicionado devemos ter consciência da nossa responsabilidade. A sociedade investe grandes cifras em nós para melhorarmos a sua qualidade de vida. Será que estamos fazendo isso? Será?

PS: Será que eu deveria estar lendo a Nature News? Ou alguma revista nacional? rs

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Meteorologia com plantas


Início do período de monções em Mui Ne, Vietnã. Crédito: Peter Grevstad


Pesquisadores americanos mostraram que a determinação da cobertura vegetal pode ser um fator tão importante quanto fatores mais tradicionalmente utilizados na previsão de monções no leste asiático. O crescimento vegetal tem uma forte influência na umidade do solo, devido à alteração da taxa de evaporação. Quanto maior a umidade do solo, maior é a transferência de calor entre a terra e o ar. Desta forma, a cobertura vegetal tem uma influência indireta na quantidade de calor que chega no ar do ambiente terrestre que, associada as fontes de calor do oceano, têm grande influência na previsibilidade deste fenômeno climático. A utilização do parâmetro cobertura vegetal associado aos mais tradicionais chega a até triplicar a habilidade preditiva dos modelos de previsão de monções.

Incrível como uma alteração em escala espacial tão reduzida como em uma relação planta-solo pode alterar o clima em uma escala regional.

Vi a notícia na última Nature.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A volta do grande monstro verde

Semana passa fiz um post sobre as críticas feitas por Paul Watson, co-fundador do Greenpeace, sobre o atual posicionamento da empresa organização quanto à proteção das baleias. Esta semana em uma entrevista para o Jornal carioca O Globo, Patrick Moore, que também é co-fundador do Greenpeace, apresentou um discurso bem semelhante. Reproduzo parte desta entrevista abaixo.

"Muitos grupos, o Greenpeace entre eles, defendem a eliminação da energia fóssil, nuclear e hidroelétrica, que respondem por 99% da energia do mundo. Então não acho que estejam sendo realistas, nem baseando suas opiniões em ciência. É impossível eliminar tudo isso e ainda termos a nossa civilização. Eles dizem que as energias renováveis são suficientes. Talvez estejam desinformando as pessoas, contando histórias da carochinha impossíveis de serem atingidas."

E não para por aí...

"O movimento ambiental se tornou uma indústria global. Não sou contra isso. O ambientalismo é guiado hoje por campanhas de desinformação e medo, nas quais não há ciência para embasar. A maioria dos militantes é ingênua, acredita naquilo. Mas os líderes lançam essas campanhas apenas para arrecadar fundos. Não há problema em arrecadar fundos, desde que não seja baseado em desinformação. Acho que a tendência é que percam credibilidade ao não ouvirem a ciência, mas isso leva tempo ainda."

Ficam duas pergunta...se Paul Watson e, principalmente, Patrick Moore ainda fossem filiados ao Greenpeace:

Seus posicionamentos em relação as temáticas discutidas nas entrevistas seriam os mesmos?
E será que se isso fosse verdade, não teríamos um movimento ambientalista muito mais crítico e menos alarmista?

Para ler esta entrevista na íntegra, visite o sítio do Jornal da Ciência.
Para ler outra entrevista do Patrick Moore concedida à Revista Época, clique aqui.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ponto para Wallace



Wallace escrevendo uma cartinha para Darwin. Fonte: Alfred Russel Wallace Page


Segundo os pesquisadores Raj Chakrabarti, Herschel Rabitz, Stacey Springs e George McLendon, um mecanismo proposto por Alfred Russel Wallace (aquele nem sempre citado co-autor da teoria da evolução) teria tido uma prova substancial descoberta. O artigo foi publicado no periódico Physical Review Letters. Segundo os pesquisadores da Universidade de Princetown, uma cadeia de proteínas presentes em grande parte dos organismos e essenciais para o metabolismo poderiam corrigir alterações causadas por mutações, restaurando o funcionamento da cadeia. A evidência mostrada no artigo é experimental e agora o caminho é buscar mais evidências para corroborar esta descoberta.

Em seu famoso artigo de 1858, Wallace discorre sobre como diferentes animais podem ter mecanismos para contrabalancear pontos negativos. Ele cita o caso de animais que apresentam pés deficientes mas asas robustas e outros que apresentam grande velocidade em decorrência da ausência de armas de defesa. Ele propôs uma espécie de feedback em uma escala diferenciada, mas a idéia é a mesma da proposta pelos autores do artigo sobre a cadeia de proteínas. Enquanto Wallace discute na escala do organismo, que, de alguma forma, "(...) verificaria e corrigiria qualquer irregularidade antes dela se tornar aparente (...)", as proteínas teriam o mesmo papel em microescala.

Então pera aí. Se existe algum mecanismo que de certa forma é capaz de "(...) direcionar o processo evolutivo" (segundo palavras de Rabitz, co-autor do trabalho) os defensores da balela do "Design inteligente" estão certos?!? Claro que não. Segundo Chakrabarti, "Estes princípios estão completamente consistentes com os princípios da seleção natural. Mudanças biológicas são sempre promovidas por mutações aleatórias e seleção, mas em certo ponto da conjuntura evolutiva, esses processos aleatórios podem ter criado estruturas capazes de direcionar a evolução subseqüente em direção a uma maior sofisticação e complexidade".

Desta forma, os autores defendem que esta descoberta teria o efeito contrário ao esperado pelos defensores da pseudo-ciência citada acima. Como boa parte dos argumentos deles estão voltados para "Como órgãos tão complexos podem ter sido originados por aleatoriedade?", a descoberta deste novo mecanismo pode ajudar a afundar de vez estes argumentos neocriacionistas. Mas acho que nem precisava desta nova descoberta para isso.

Vi a nota sobre o artigo no incansável EurekAlert!

domingo, 9 de novembro de 2008

Guarda Nacional Ambiental


A Amazônia mais bem vigiada do que nunca...




Não sabe o que é a Guarda Nacional Ambiental?


Do excelente Rasura Livre.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Os lemmings não se suicidam mais?

Foto: Nature

Os lemmings são pequenos roedores encontrados nas regiões árticas, habitam as tundras. Estes pequenos animaizinhos são bastante famosos pelos freqüentes “suicídios” em massa. O porquê das aspas é o seguinte: estes animais são capazes de viver sob a neve durante todo o inverno, se alimentando basicamente de musgos. Mesmo assim, as fêmeas são capazes de gerar mais de três ninhadas por ano (com aproximadamente 12 filhotes em cada uma). Deste modo, em épocas com pouca mortalidade de jovens é gerada uma superpopulação destes animais e, com isso, a disponibilidade de alimentos diminui drasticamente. Desesperados por comida, alguns desses animais mergulham procurando qualquer coisa para comer. Esta ação coletiva criou o mito do suicídio em massa, mas na verdade é o desespero da fome.



Documentário da Disney de 1958 que mostra o "suicídio". Dizem que a cena do pulo foi armada


Entretanto, a ocorrência desta natação coletiva a procura de comida tem diminuído drasticamente nos últimos 15 anos. Muito tem sido debatido sobre as possíveis causas disto: flutuações na predação, disponibilidade e qualidade de alimentos e variabilidade climática. No último volume da revista nature, Kausrud e colaboradores analisaram uma série climática dos últimos 27 anos e observaram episódios anômalos de neve. Isto associado com temperaturas mais altas impede a formação de um espaço entre a camada de neve e o solo, às vezes formando até uma camada sólida de gelo, impedindo os pequenos roedores de se alimentar do musgo. Assim, episódios de superpopulação tem se tornado menos freqüente e, com isso, as maratonas aquáticas dos roedores.


Crédito: Steve Colgan


Além disso, com essa menor abundância, outras populações estão sofrendo também. Grandes carnívoros (como as raposas) que antes se alimentavam desta superpopulação estão agora passando por períodos de escassa disponibilidade de alimento. Deste modo, estão sendo indiretamente afetadas pelas atuais mudanças climáticas globais. Isto nos reforça a idéia de como interligados são os componentes de nosso planeta. Ainda temos muito que pesquisar para começarmos a entender melhor como os diferentes ecossistemas funcionam. E é por isso, que eu gosto do que faço. O prazer de entender algumas destas relações me fascina.

Obs: Ok, ok, depois de reler este último parágrafo, me pareceu um pouco sentimental de mais.rs


Referências:

Coulson, T. and A. Malo. 2008. Population biology: Case of the absent lemmings. Nature 456:43-44.

Kausrud, K. L., A. Mysterud, H. Steen, J. O. Vik, E. Ostbye, B. Cazelles, E. Framstad, A. M. Eikeset, I. Mysterud, T. Solhoy and N. C. Stenseth. 2008. Linking climate change to lemming cycles. Nature 456:93-97.

Transferência horizontal em eucariotos: Lamarck sorri em seu túmulo



Jean Baptiste Lamarck: "Eu já sabia!". Crédito: wikipedia


"Evolução coletiva" é uma expressão cunhada por Carl Woese em um artigo de 2006. Ela refere-se a influência da transferência horizontal de genes em microorganismos no processo de evolução como um todo. Este mecanismo não-darwiniano pode transferir genes sem o artifício da reprodução (transferência vertical), sendo muito comum em bactérias e archea. A introdução destes conceitos na teoria da seleção natural sempre foi muito controversa e, depois do artigo publicado na última PNAS, ficará ainda mais interessante. Como todos sabemos, a transferência lateral de genes é restrita a microorganismos, não é? Bem, talvez não tão restrita assim. Segundo John Pace II e colaboradores, este mecanismo pode ocorrer até em mamíferos.

No artigo intitulado "Transferência horizontal repetida de transposons de DNA em mamíferos e outros tetrápodos", John Pace II e colaboradores compararam seqüencias de transposons (segmentos de DNA) de vários animais, incluindo ratos, morcegos e até marsupiais. De forma surpreendente, os pesquisadores encontraram seqüencias idênticas em 8 espécies de animais. Como estes grupos não são diretamente relacionados na árvore filogenética, como que estes segmentos de DNA altamente conservados foram trocados entre estas diferentes espécies? Segundo Cédric Feschotte, um dos co-autores do trabalho, o mecanismo mais provável que seria responsável por essa transferência horizontal de trechos de DNA seriam as infecções virais. Como estes trechos de DNA seriam introduzidos nos animais estudados através de vírus, os autores do artigo deram o nome sugestivo de SPIN (space invaders) aos transposons.

Bem, se ainda existiam alguns resistentes a rediscutir Lamarck, acho que agora não resta mais motivos para isso. Tenho certeza que mecanismos evolutivos não-darwinianos agora ganharam um novo argumento.

O blog RNAse Free comentou a parte genética do assunto.


O grande monstro verde



"Ajude a acabar com a caça das baleias!", diz a frase piegas escrita no gelo. Crédito: mym


O Greenpeace anunciou esta semana que não enviará barcos para combater as frotas baleeiras do Japão este ano. "Como co-fundador do Greenpeace, estou muito ofendido devido ao fato do Greenpeace levantar milhões de dólares pela defesa das baleias durante todo o ano e agora, duas semanas antes da frota baleeira japonesa entrar em operação, eles anunciam que não irão", disse Paul Watson. "(...) eles coletam fundos sob falsos pretextos e agora eles abandonaram as baleias." Em um comunicado oficial, o Greenpeace afirmou que eles não irão enviar barcos para o Japão porque acham que podem impedir os baleeiros antes mesmo deles saírem do cais. (se é tão fácil, porque não fazem isto desde 1970?)

O autor da frase acima, Paul Watson, foi expulso do Greenpeace em 1978. O principal motivo alegado foi que ele não compartilhava dos princípios de não violência da empresa organização. Em uma entrevista à revista super interessante Paul Watson já afirmava há quase uma década:

"Hoje o Greenpeace é uma corporação burocrática que arrecada 200 a 300 milhões de dólares por ano e está mais interessada em levantar dinheiro vendendo produtos do que em salvar a Terra. Os ativistas deixaram a entidade, que foi tomada por burocratas, contadores e advogados. Nas campanhas, eles mostram fotografias de 20 anos, porque não têm nenhuma nova. Me sinto como o doutor Frankenstein criei o grande monstro verde. Eu os chamei, numa entrevista, de garotas-Avon do movimento ambientalista, porque vão de porta em porta pedindo dinheiro. Nunca me perdoaram por isso."

Gostei do termo "Grande monstro verde". Não afirmo que o greenpeace não faça nada de relevante, mas se você colocar no google o termo "Greenpeace critica" (entre aspas mesmo), temos mais de 16.100 resultados. Eles criticam tudo e todos, tendo sempre a cobertura da grande mídia. O consultor em tecnologia Daniel Eran afirma que um relatório feito pelo Greenpeace em 2006 para denunciar a Apple e a HP era mentiroso e negligente. Este é só um exemplo dentre tantos outros que mostram o outro lado desta grande organização. Como "ser verde" está na moda, criticar organizações ambientalistas fica fora de pauta na grande mídia.

Vi no blog The Great Beyond.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Ambientalismo com humor

O Canal Animal planet (que faz parte do grupo Discovery) exibiu este ano uma série de 10 curtas animados mostrando como animais poderiam salvar o planeta. Quem assina esta produção são os renomados criadores da série Wallace & Gromit, que fez sucesso no mundo todo. Além das animações em massinha, o Animal Planet teve o cuidado de fazer um sítio muito bom, cheio de extras. Seguem abaixo os meus três vídeos favoritos.


"Vacas gasosas"

A emissão de metano por ruminantes representa cerca de 28% da emissão total de metano em atividades relacionadas a seres humanos. Número bem significativo, já que este gás apresenta um potencial estufa 20 vezes maior que o gás carbônico.


"Pinguim eficiente em energia"


Lâmpadas fluorecentes são cerca de 6 vezes mais eficientes do que as lâmpadas incandescentes tradicionais. Confira no sítio do INMETRO.


"Cachorro em stand by"


Entre 10 e 15% do consumo de energia elétrica de residências nos EUA é creditado ao modo stand by de aparelhos eletrônicos. No Brasil o INMETRO já começou a trabalhar neste sentido, sendo todos os fabricantes de televisores de tubo obrigados a terem um selo que mostra a eficiência de cada aparelho em modo stand by. Independente do consumo, eu sou muito parecido com o cachorro da animação. Não consigo dormir quando tem alguma luz de stand by ligada no quarto.


Esta série de animações de ótimo gosto do Animal Planet mostra como podemos passar uma idéia de conservação sem ser "eco-chato". Este é o caminho que o ambientalismo não seguiu. Uma pena.

Vi no O Velho.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

IX Congresso de Ecologia do Brasil





Foi anunciado via mala direta a abertura dos trabalhos do IX Congresso de Ecologia do Brasil que será realizado em São Lourenço (Quanto criatividade! O último foi em Caxambu, 30 Km de São Lourenço), sendo organizado pela Sociedade de Ecologia do Brasil. O tema deste ano é "Ecologia e o Futuro da Biosfera" (um pouco piegas, não?).

Segundo a organização, a novidade deste ano é a divisão do congresso em duas etapas:
  • A primeira etapa será destinada a pesquisadores e alunos de pós-graduação. Acontecerá nos dias 11 a 13 de setembro de 2009.
  • A segunda etapa será destinada à comunidade científica em geral e acontecerá nos dias, 13 a 17 de setembro de 2009.
As inscrições serão de 01/01/09 a 31/08/09. O Envio de resumos de 01/01/09 a 31/05/2009. O sítio do evento estará disponível a partir de janeiro de 2009. A organização ainda pede sugestões de temas para palestras, mesas redondas e mini-cursos, além de indicações de palestrantes. Essas sugestões e outras informações do evento podem ser enviadas para o emaio: edisa@ib.usp.br.


UPDATE (17:38)

Alguem me explica o que significa o logo da Sociedade de Ecologia do Chile?


domingo, 2 de novembro de 2008

Anfíbios, pesticidas e fertilizantes: Uma interação complexa


A algum tempo cientistas de todo mundo têm observado um desaparecimento de várias espécies de anfíbios. Muito tem sido discutido sobre as causas destes fenômeno de extinção em massa. Até o aquecimento global já foi sugerido como possível causa.




Em um outro contexto, mas ainda falando sobre anfíbios, cientistas têm relacionado o uso de pesticidas com o supressores imunológicos. Ao analisarem brejos próximos a fazendas, foi encontrado uma maior incidência de animais infectados por fungos patogênicos, quando comparados com brejos sem a influência de fazendas (ScienceNOW).

Recentemente, pesquisadores da Universidade de Illinois observaram uma outra influência negativa das fazendas sobre os anfíbios. Eles observaram que fertilizantes usados nas plantações e que eram lixiviados até brejos próximos estimulavam o crescimento algal destes corpos d'água. Entretanto, estas algas servem de alimento para caramujos que são fonte alimentares dos anfíbios. Só que, quanto mais caramujos, maiores são as chances deles serem infectados por platelmintos chamados trematodos. Estes vermes parasitas de caramujos aumentam a mortalidade dos anfíbios. Isto ocorre, pois ao se alimentar destes animais contaminados, os anfíbios são infectados pelos vermes. Eles afetam os rins dos anfíbios, além de deformar seus membros.

Assim o sistema imunológicos debilitado por causa dos herbicidas e a maior densidade de trematodos (causada indiretamente pelos fertilizantes) atuam em conjunto na maior mortalidade de anfíbios. Assim, não basta desenvolvermos medidas de mitigação somente para pesticidas (o que é mais óbvio), mas devemos agora levarmos em consideração a possível influência dos fertilizantes no ambiente natural.

Fonte: ScienceNOW

Para ler outros posts sobre curiosidades, clique aqui.