segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Quanto mais quente pior

Na edição de 18 de setembro (7211) da revista Nature a matéria de capa é bastante preocupante.Um grupo de cientistas americanos publicou um artigo entitulado "Prolonged suppression of ecosystem carbon dioxide uptake after an anomalously warm year". Esses pesquisadores observaram que os efeitos de um ano com temperaturas elevadas pode afetar o quanto de CO2 é seqüestrado pelo ambientes terrestres neste ano e no ano seguinte. Em termos quatitativos, o potencial de seqüestro é 30% menor nos ambientes que foram expostos a maiores temperaturas.


No ano quente em questão, a produtividade primária é reduzida devido a seca causada pela altas temperaturas. Já no ano seguinte, existe uma alta estimulação da respirção bacteriana do solo. Estes dois fenômenos são responsáveis pela redução da capacidade de seqüestro dos ecossistemas terrestres em questão. Sendo necessário mais dois anos para que o o ecossistema volte ao seu estado normal.
Vale lembrar que este experimento foi feito em grandes câmaras de vidro (184 metros cúbicos) e com espécies comuns da pradaria americana. Deste modo, outros ecossistemas devem ser estudados para ver se apresentam o mesmo tipo de comportamento.
Entretanto, nada disso anularia a importância de uma descoberta como esta. Pelo contrário, somente confirma a importância do tema em questão. Fica de aviso para todos nós, quanto mais estudamos como nosso plantea reaje as mudanças climáticas atuais, mais deveríamos ficar preocupados!

domingo, 28 de setembro de 2008

Televisores LCD e o aquecimento global

Com o bom momento econômico em que o Brasil está, a venda de tv's LCD é cada dia maior. Esse eletrodoméstico se tornou um símbolo de status e sonho de consumo de muitos. Entretanto, existe um porém. A fabricação deste tipo de televisor utiliza um gás chamado trifluoreto de nitrogênio NF3. Esse gás é 17.ooo vezes (isso mesmo! 17 mil vezes) mais forte que o famoso CO2 no que diz respeito ao efeito estufa. Uma molécula desse gás equivale a 17.000 moléculas de gás carbônico.



Deste modo, com a demanda cada vez maior por tv's LCD e a demanda infinita de monitores de computador LCD, teremos que ter atenção com a utilização deste gás. O estudo da revista Geophysical Reaserch Letters diz que se todo o NF3 produzido no ano de 2008 fosse emitido para atmosfera, equivaleria a 67 milhões de toneladas de CO2 ou a emissão anual de um país como a Áustria.

Isto me lembra a histório dos CFC's e o buraco na camada de ozônio. Quando percebemos quem causava a destruição da indispensável camada, nosso cotidiano já estava impregnado com esse gás (desde tubos de desodorantes até geladeiras). Porém esse mesmo exemplo me dá esperanças. Pois, a substituição dos CFC's na industria é um dos exemplos mais positivos de comoção e ação mundial. Hoje em dia, somente a China continua usando esses tipos de gases.

A necessidade de estudos sobre esse gás é urgente. O NF3 não é levado em consideração pelo Protocolo de Kioto, fica aí o alerta!


Fonte: The Guardian, CNet News, The Press Association



sábado, 27 de setembro de 2008

Dedos limpos de ontem podem se tornar dedos sujos de óleo no futuro


Terça-feira, 3 de junho de 2008
"Dedos apontados contra o etanol estão sujos de óleo, diz Lula"
Fonte: Estadão






Terça-feira, 2 de setembro de 2008
"Lula: meter a mão no óleo foi sensação única"
Fonte: Terra



Nada como um dia após o outro...

Não tenho nada contra uma maior diversificação da matriz energética do Brasil, mas acho que essas duas frases do Presidente Lula mostram como Economia e Meio Ambiente percorrem caminhos contrários. Mesmo um presidente que tem a utilização de biocombustíveis como tema recorrente de sua plataforma política, a possibilidade de termos muito petróleo para queimar se torna um pecado quase impossível de ser colocado de lado.

Se o presidente Lula estiver lendo este texto, um bom investimento do dinheiro ganho com a extração de petróleo seria em energias renováveis, principalmente eólica e solar que tem grande potencial em nosso país. Fica aí a minha dica.


Muito além do Aquecimento Global: o efeito do excesso de nitrogênio

Gostaria de começar agradecendo meu grande amigo Breno pelo convite e dizer que gostaria de contrubuir a este blog falando não só de assuntos ligados a ecologia, mas também sobre ciência em geral. Acho que o papel dos blogs como divulgadores de ciência para o grande público têm crescido cada vez mais e em países como os EUA, blogs de ciência como Pharyngula e The Loom têm um público de milhares de pessoas que os acompanham diariamente. Desta forma, a importância de transmissão de conhecimento científico destes blogs certamente é muito relevante.

Com certeza um assunto muito recorrente neste blog e em toda a mídia (pelo menos nos últimos anos) tem sido o Aquecimento Global. Muito se fala sobre emissão e sequestro de gases estufa como o gás carbônico (CO2) e um pouco sobre emissão de metano (CH4). Mas tenho certeza que muitos nunca ouviram falar no óxido nitroso (N2O). Este gás, como sua fórmula molecular já indica, é nitrogenado. Será que o famoso "gás do riso" pode nos trazer alguma preocupação nada engraçada em termos de aquecimento do planeta?


Óxido nitroso. Fonte: wikipedia


Tenha certeza que sim. Em termos potenciais, o dióxido nitroso apresenta um potencial estufa 300 vezes maior do que o dióxido de carbono. Além disso, esta molécula pode reagir diretamente com o ozônio, trazendo conseqüências ainda mais graves para o nosso planeta. As principais fontes naturais deste gás são os processos de desnitrificação (respiração do nitrado) e nitrificação (respiração da amônia). Mas como adiantei no título, o problema do nitrogênio e de outros nutrientes é quando ele se encontra em excesso na natureza.

A maior parte das formas nitrogenadas adicionadas ao solo pela agricultura acaba sendo lixiviada para corpos aquáticos, gerando uma série de conseqüências para estes ecossistemas. Além do aumento da emissão de N2O, a fertilização de rios, lagos, lagoas e estuários pode gerar uma grande perda de biodiversidade (pelo processo de eutrofização artificial), chuva ácida, dentre outros.

Um número que nunca consegui realmente entender é a eficiência do uso de fertilizantes na agricultura. Qual porcentagem de nitrogênio que adicionamos ao solo seria razoável terminar nas plantas? 90% ? 80% ? Na verdade, o número mais correto seria próximo a 35%, em plantas muito eficientes na absorção de nitrogênio. Se vocês querem mesmo ficar assustados, a eficiência da fertilização por nitrogênio em ração de gado é ainda mais baixa. Cerca de 6% do nitrogênio adicionado a ração chega a carne do gado.

Desta forma, o papel do nitrogênio tanto na mídia quanto em trabalhos científicos tende a aumentar cada vez mais. Um artigo do New York Times do começo deste mês trata muito bem deste assunto, entrevistando cientistas muito destacados na área do ciclo do nitrogênio como Vitousek (ecólogo da universidade de Stanford) e Galloway (professor da universidade de Virginia).

Espero que tenham gostado deste post. Com certeza este assunto estará de volta em pouco tempo.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Água e 180 mil G.

É incrível como a natureza sempre nos surpreende. Este fungo é capaz de lançar seu esporo a mais de 2,5 m de distância. Acha pouco? Seria como se nós aremessássemos uma bola de futebol a mais de 5 Km de distância.
E isso é feito somente com a pressão da água dentro do esporângio gerada por causa da osmose.
Assista:



Fonte:Rainha vermelha

Mudança

Caros amigos,

Depois de muito tempo sem atualizar esse blog, estou voltando. Agora com uma dissertação de mestrado pronta e perto de apresentá-la. Entretanto, volto com uma novidade. Agora meu grande amigo Luiz Bento (doutorando em ecologia pela UFRJ) será meu companheiro de postagem.
Pretendemos atualizar esse blog sempre que possível. E sempre dando nossas opiniões sobre o fato em questão. Conto com a participação de todos que puderem.
Abraços

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Petróleo financiando o meio ambiente?

A ministra Marina Silva propôs a criação de um fundo para a preservação do meio ambiente e combate ao aquecimento global. Entretanto, uma coisa me vem a cabeça: Petróleo para financiar proteção ao meio ambiente e combate ao aquecimento global?
A atividade de exploração do petróleo é uma das mais danosas ao meio ambiente, é só lembrar do desastre na costa da Rússia onde 1200 toneladas de petróleo vazaram depois que um petroleiro naufragou. Este é o exemplo mais recente entre vários desastres desse tipo. Além disso, a queima de combustíveis fósseis é uma das mais importantes fontes de CO2 para atmosfera. Mais uma medida do estilo morde e depois assopra criada para preservação ambiental.
Esse é mais um exemplo de do total descaso do governo com o meio ambiente, políticas compensadoras são as únicas tomadas. Temos que começar a pensar que a preservação do meio ambiente não deve ser uma ação dependente da poluição (poluir para depois remediar). Temos que procurar novas medidas de preservação pela preservação, pelo simples fato de que nossa sobrevivência e saúde depende de um ambiente saudável.




A Petrobrás ainda não sabe nem como nem quando vai começar a explorar o megapoço de petróleo de Tupi, mas a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, surpreendeu ontem (14 de novembro) a equipe econômica com uma proposta especial durante uma reunião convocada pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na reunião, para tratar do Plano Nacional de Mudanças Climáticas e preparar o governo para a 13ª Conferência das Partes da Convenção do Clima, marcada para o próximo mês, em Bali (Indonésia), a ministra propôs a criação de um fundo especial com parte do dinheiro da fartura de impostos e royalties que o governo federal vai arrecadar da indústria de exploração e exportação de petróleo.

O fundo serviria para financiar soluções de combate ao desmatamento e ao aquecimento global, contribuindo assim para a estabilização climática. Além da criação do fundo, ficou decidido na reunião que o governo vai formar um comitê interministerial só para propor soluções e, ao mesmo tempo, monitorar a execução de cada uma das medidas implementadas.

A criação do fundo com dinheiro dos royalties do petróleo não foi rejeitada - a descoberta de Tupi foi anunciada oficialmente na semana passada, e o poço pode ter entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de óleo.

O Estado apurou com dois dos ministros que participaram do encontro de ontem que o Planalto fez apenas uma ponderação: que antes de criar o fundo fosse constituído o comitê interministerial para que ficasse claro onde e como o dinheiro dos royalties será investido.

O Planalto vai continuar a discutir as propostas da ministra Marina Silva, mas a intenção é que o governo chegue com algumas decisões “concretas e surpreendentes” à reunião de Bali.

Há uma grande expectativa sobre o que os delegados brasileiros vão dizer na Indonésia porque, na abertura da Assembléia-Geral da ONU, em setembro passado, em Nova York, o presidente Lula disse que o enfrentamento dos problemas climáticos também é de responsabilidade dos países emergentes.
(O Estado de SP,15/11)

Fonte:
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=52283

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Nova campanha do WWF Brasil

Nova campanha do WWF Brasil mostra de maneira bem divertida como nossas ações podem, indiretamente, nos afetar. Como disse Rodolfo Sampaio (um dos criadores do filme):

"A grande mensagem do filme é que, uma hora, o que você faz tem volta, vai chegar em você. Se você não se engajar nesta luta, se você não tentar reverter este cenário de devastação, mesmo que através de pequenos gestos e atitudes que se somarão com gestos de milhões de outros, um dia tudo pode cair na sua cabeça. Literalmente"

Vale conferir!