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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O que palestras de biologia e shows de rock tem em comum?


Ron Vale gig poster
"Como motores moleculares funcionam". Poster-convite para uma palestra. Crédito: gigpsforscis


Tudo, segundo o Departamento de biologia da universidade da Carolina do Norte. Eles convidaram uma dupla de designers para fazer posters de palestras realizadas pelo departamento. Até aí, nada demais. O diferencial estava em que não eram designers comuns. Eram especializados em fazer posters e camisas de bandas de rock. O resultado desta parceria você pode conferir aqui. Fica a ideia para congressos brasileiros. O público com certeza iria aumentar muito, somando os desavisados que gostariam de assistir ao show da banda "Ron Vale" como no poster que ilustra esse post.

Mais sobre os posters no sítio da revista The Scientist.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Darwin estava certo

Bem, parece que não fui só eu que fiquei decepcionado com a capa da revista de divulgação científica americana New Scientist sobre Darwin. O filósofo Daniel Dennett, o biólogo Richard Dawkins e dois outros autores também não gostaram nem um pouco de ver em uma revista de grande circulação internacional da frase "Darwin estava errado". Eles demostraram esta decepção em uma carta publicada na última semana pela mesma revista. Para entender melhor o problema, leia o meu post comentando o deserviço prestado pela capa infeliz da New Scientist.

Eles começam de forma bem forte: "O que vocês estavam pensando quando produziram uma capa gritante proclamando que 'Darwin estava errado'?". Os argumentos da carta são bem parecidos com a minha reclamação. Além de ser uma afirmação falsa, ela é sensacionalista. Não acrescenta em nada o que já era conhecido. As ferramentas recentes da biologia molecular não invalidam a idéia da árvore da vida. Ela aumenta a complexidade da árvore e a transferência horizontal em eucariotos ainda é um assunto muito polêmico para se tornar um fato consumado. É claro que dar a faca e o queijo na mão dos criacionistas não poderia ser esquecido nesta carta inflamada. Segundo os autores, "(...) horas depois da publicação, membros da secretaria de educação do Texas estavam citando o artigo como a evidência que os professores precisavam para ensinar 'fraquesas da evolução' inspiradas em criacionismo (...)".

Para terminar, Dennett, Dawkins e colaboradores reafirmam a infelicidade da última edição da New Scientist: "Vocês deram muito trabalho extra, desagradável para os cientistas cujo trabalho vocês deveriam estar explicando para público geral. Todos nós agora devemos tentar corrigir todo o mal-entendido que sua capa produziu".

Assino embaixo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Como NÃO fazer divulgação científica em rede nacional

"O que chamamos de divulgação científica é o reflexo de um modo de produção de conhecimento restringido e, consequentemente da constituição de um efeito-leitor específico relacionado à institucionalização, profissionalização e legitimação da ciência moderna, e que opõe produtores e usuários/consumidores e, cria a figura do divulgador, que viria, imaginariamente, restabelecer a cisão, e minimizar a tensão instaurada ao longo da história no tecido social da modernidade. Essa cisão não é mantida sem tensão, sem a (re)produção tensa de um imaginário que a mantém. É nesse imaginário que trabalha a divulgação científica."


Henrique César da Silva. 2006.
O que é divulgação científica?
Revista Ciência e Ensino


Entendi que devemos tentar minimizar a tensão entre o público leigo e o meio científico. Que devemos restabelecer esta cisão formada ao longo da história. Mas acho que os repórteres da Globo estão pegando pesado. Depois de mostrar para os futuros professores de biologia como NÃO se deve ensinar seleção natural para seus alunos, a segunda parte do seu especial sobre os 200 anos de Darwin chegou ao ponto extremo (pelo menos até aqui, pois ainda faltam 2 partes).

Depois de 21 minutos de programa com uma qualidade razoavelmente interessante, entrevistas (superficiais) com filósofo Daniel Dannet (autor do livro "A Perigosa ideia de Darwin") e com o biólogo Richard Dawkins (que dispensa apresentações), temos um furo muito comum em documentários desta natureza. Depois de 21 minutos sem intervalo de pouco muito conteúdo, o que devemos fazer para manter o público interessado? Fazemos uma analogia sem contexto e que, com certeza, além de errada, não trás nem de longe algum acréscimo de informação. Uma pena. Vejam com os seus próprios olhos.





"Agradecer" a seleção natural? Um "cordão nervoso" ao longo de milhares de gerações deu uma nova função a boca? E isto explica porque beijar é tão bom ? Pelo amor de Darwin. Não tinha nada melhor para fechar um especial sobre os 200 anos de um dos maiores cientistas da nossa história ?

Se isso é divulgação científica, com certeza estou muito longe de fazer isso. E quero continuar assim. Depois dessa experiência marcante, gostaria de convocar todos os biólogos a dedicarem parte ou grande parte do seu tempo a divulgar ciência. Precisam de nós. E com urgência.


Referência:

Henrique César da Silva. 2006. O que é divulgação científica? Revista Ciência e Ensino 1(1): 53-59. Link para o artigo.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Como NÃO ensinar seleção natural para seus alunos



Bem, depois de uma descrição tão distorcida do que é seleção natural, vamos por partes. O trecho acima fez parte do primeiro programa especial sobre Darwin (de um total de 4) que foi exibido na quarta-feira no canal a cabo GloboNews.

  • "A natureza é uma guerra(1) entre espécies(2)..."

(1) Não meu caro. Primeiro que a utilização do termo "guerra" leva a um erro clássico. É claro que a competição tem um papel muito importante na teoria de Darwin, mas cada vez mais vemos o relevante papel das interações positivas. Em um ambiente como o manguezal, o crescimento radial das raízes de plantas como a Laguncularia racemosa estabiliza o sedimento fino característico deste ecossistema. Desta forma, outras plantas podem agora ocupar a área, mais estável pela contenção do sedimento. É o que chamamos em ecologia de "espécies engenheiras", que alteram o ambiente a sua volta e não estão apenas submetidas as suas flutuações.

(2) Não. A luta pela existência (em termos darwinianos) ocorre entre indivíduos e não entre espécies. O histórico deste pensamento essencialista é muito bem retratado por Ernst Mayr em seu livro "Uma ampla discussão" (FUNPEC editora, 2006), onde ele discute este assunto em um trecho intitulado "Luta entre espécies ou entre indivíduos?". A unidade de seleção (onde realmente a seleção natural atua) é o indivíduo, já que a diferenciação das características "visíveis" pela seleção natural (fenótipo) ocorrem neste nível. Existe uma frente de cientistas que defendem o gene como a unidade de seleção. Segundo um de seus mais famosos defensores, Richard Dawkins, "(...) A unidade de seleção no sentido de replicador é o gene. E no sentido de veículo, o organismo. Ambas são igualmente importantes. Só fazem coisas diferentes. Não estão competindo pelo papel de unidade de seleção". Divergências a parte, a unidade de seleção definitivamente não é a espécie. Quando definimos que a unidade de seleção é o indivíduo abrimos os olhos para a competição intraespecífica, que pode ser tão ou até mais importante do que a competição interespecífica. Se pensarmos apenas em espécie, esquecemos este componente tão importante das interações.

  • "(...) e que as mais fortes e mais adaptáveis são as que sobrevivem"

Mesmos erros do início da frase. Passar a ideia que as espécies (e não indivíduos) são as unidades da seleção. Usar o termo "mais forte" associado a imagem de um leão atacando uma hiena é uma péssima maneira de se passar o conceito de seleção natural. Parece que somente os organismos que forem mais fortes fisicamente sobrevivem. Diga isso as bactérias e archeas. Elas vão rir muito. Outra coisa, o que significa uma "espécie adaptável"? Segundo o tio michaelis, algo adaptável é algo que pode ser adaptado, como um livro é adaptável para se tornar um roteiro de filme. A péssima analogia passa o conceito de que as espécies (segundo o jornalista) podem se adaptar, como se fosse algo direcionado. Na verdade os indivíduos já nascem com um fenótipo correspondente a um genótipo que pode ser ou não vantajoso em seu ambiente específico.

  • "(...) Quando as espécies se reproduzem fazem cópias de si próprias, nem sempre idênticas, pois ocorrem mutações ou desvios que criam variedade. Darwin chamou isso de seleção natural."

Tirando a definição que eu considero pessoalmente ruim de reprodução e mutação, podemos ver neste ponto que o jornalista se perdeu completamente. Será que eu estou sendo tendencioso ou ele disse Darwin chamou as mutações e os "desvios" de seleção natural? Como a geração de variedade pode vir depois do que ele chamou de "guerra"? Não há lógica nesta construção de frase. Primeiro devem ocorrer mutações para gerar variedade e, posteriormente, os indivíduos mais adaptados ao ambiente em que ele está inserido, sobreviverão e terão maior sucesso reprodutivo.

Depois dessa aula de como a divulgação científica não deve ser feita, nada melhor do que o grande biólogo Ernst Mayr para ensinar aos jornalistas da Globo o que realmente é seleção natural.

"(...) O termo, simplesmente, refere-se ao fato de que somente uma pequena parte da prole de um grupo de genitores sobrevive o suficiente para se reproduzir. Não há uma força seletiva particular na natureza, nem um agente seletivo definido. Há muitas causas possíveis para o sucesso de poucos sobreviventes. Alguma sobrevivência é devido a processos estocásticos, isto é, pura sorte. A maior parte, entretanto, é devido ao trabalho superior da fisiologia do indivíduo sobrevivente, que permite enfrentar as vicissitudes do ambiente melhor do que os outros membros da população. A seleção não pode ser dissecada em porções internas e externas. O que determina o sucesso de um indivíduo é precisamente a capacidade da maquinaria interna do organismo (incluindo o seu sistema imune) de enfrentar os desafios do ambiente. Não é o ambiente que seleciona, mas o organismo que enfrenta o ambiente com muito ou com pouco sucesso. Não há nenhuma força externa."
Uma Ampla Discussão. Ernst Mayr. FUNPEC editora, 2006. Páginas 86-87.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Dia Darwin no Rio de Janeiro

Em pleno ano Darwin começam (lentamente) as comemorações em terras tropicais. Dia 12 de fevereiro (dia em que Darwin faria 200 anos) serão realizadas palestras por professores e pesquisadores da UERJ e de outras universidades do Rio de Janeiro sobre a vida e obra de Charles Darwin, evolução e psicologia evolutiva. O evento é gratuito e está previsto para ocorrer das 16:00 às 19:00 no 11º Andar, Bloco F, da UERJ. As palestras já confirmadas são listadas abaixo. Para mais informações e inscrições no evento (as vagas são limitadas): dia.darwin.brasil@gmail.com

  • "O Homem Charles Darwin", com Ricardo Campos da Paz, biólogo e professor da Unirio
  • "Efeitos Astronômicos sobre a Evolução Biológica", com Hélio Jaques Rocha Pinto, astrônomo e professor do Observatório do Valongo/UFRJ
  • "Biologia Evolutiva", com Robson Vera Cruz de Carvalho, biólogo, mestre em Zoologia pelo Museu Nacional/UFRJ
  • "Psicologia Evolucionista – Fundamentos e Desenvolvimentos Contemporâneos", com Aline Melo de Aguiar e Rafael Vera Cruz de Carvalho, ambos psicólogos e mestrandos do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social da Uerj

Este evento faz parte da celebração mundial do Dia Darwin que é realizado todo ano no dia 12 de fevereiro, mas que este ano, com certeza, terá maior visibilidade devido aos 200 anos de nascimento de Charles Darwin e os 150 anos de publicação do "A Origem das Espécies". Para ver a descrição do evento no sítio do "Darwin Day", clique aqui.

Fonte: Jornal da Ciência e Agência FAPESP

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

"Mudanças climáticas" ou "Aquecimento global"?



"Prova positiva do quecimento global". Fonte: Humor na ciência


Tanto na mídia quanto na blogosfera em geral esses dois termos são muitas vezes utilizados como sinônimos, o que está longe de ser verdade. Gostaria de contribuir com este post para acabar de uma vez por todas com a confusão gerada pela popularidade deste tema e explicar o porque deste humilde blog ter acatado o termo "Aquecimento global" como padrão de palavra chave.

O termo "Aquecimento global" é mais antigo e foi citado pela primeira vez em 1975 pelo geoquímico Wallace Broecker em um artigo para o periódico Science intitulado "Climatic Change: Are We on the Brink of a Pronounced Global Warming?". Antes deste artigo, o termo mais comum na literatura científica era "mudança inadvertida do clima". Isto porque na época ainda era muito controverso o papel do homem e dos aerosóis na mudança do clima. Enquanto o primeiro poderia liberar gases de efeito estufa na atmosfera (aumentando a temperatura global da Terra) o segundo poderia diminuir a temperatura global. O termo "mudança inadvertida do clima" só foi abandonado em 1979 devido a um estudo da NASA que revelou o papel do dióxido de carbono no clima. Vinte anos depois e ainda se sabe muito pouco sobre a influência dos aerosóis no clima, mas o efeito dos gases de efeito estufa no aumento da temperatura da Terra é pouco questionado.

Além de ter forçado o abandono do termo "mudança inadvertida do clima", o estudo da NASA de 1979 também introduziu pela primeira vez o termo "Mudanças climáticas". Quando ele se referia ao aumento da temperatura da superfície do planeta, utilizava o termo "Aquecimento global" e quando se referia aos efeitos do aquecimento global, ele utilizava o termo "Mudanças climáticas".

Já na década de 80 outro termo começou a ser utilizado, a "Mudança global", mas conquistou poucos seguidores. No final desta década, após o discurso ao congresso americano do cientista da NASA James E. Hansen, o termo "Aquecimento Global" se tornou realmente popular, sendo utilizado tanto pela mídia quanto em publicações científicas.

Fazendo uma busca rápida no Google Trends podemos entender a diferença brutal entre a utilização dos termos na internet.





Se procurarmos pelos respectivos termos em português, esta diferença é ainda maior. Veja que interessante o lag entre a utilização dos termos em inglês e português. Podemos ver claramente o atraso na resposta da utilização dos termos em português.





Então vem a pergunta do início do post. Porque preferimos utilizar o termo "Aquecimento Global" aqui no blog? A resposta não é tão simples, mas vamos tentar diferenciar os termos. Como este blog tenta dar uma visão científica dos temas ecológicos que normalmente não são bem tratatos pela mídia e pela blogosfera, a maioria dos posts relativos a este tema tratam de causas do aumento da temperatura global da Terra e a emissão de gases estufa. Resumindo, tratamos em grande parte da base científica das alterações recentes na atmosfera.

O termo "aquecimento global" refere-se a principal causa das iminentes alterações climáticas globais, o aumento da temperatura da Terra devido ao aumento do efeito estufa. As alterações climáticas regionais decorrentes deste processo são consequencias diretas e indiretas do aumento da temperatura média global. É claro que devemos tomar cuidado com mal entendidos. A média da temperatura global é que tende a aumentar como vimos em 2008. Diminuições regionais da temperatura podem ter acontecido como este caso na China, mas a média global tende a aumentar. Mas isso não pode ser um motivo para não utilizarmos este termo. Além disso, como Kevin Grandia escreveu no Huffington Post, não devemos esquecer que o termo "aquecimento global" é muito popular. Não utilizar este termo pode deixar bons textos sobre o tema esquecidos pela máquina de busca do google.

Quanto ao termo "mudanças climáticas", acho que ele ao mesmo tempo que se refere aos alterações decorrentes do aquecimento global, pode não dizer nada. Mudanças climáticas (mesmo as globais) são muito comuns na história do nosso planeta. Já um aquecimento global nas proporções previstas pelos últimos trabalhos e, principalmente, neste curto espaço de tempo, nunca foram vistas, nem pelas archea e bactérias.

Sendo assim, acho que a melhor construção de frase seria "As mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global...". Ou se você quiser ser mais direto ao ponto, escolha um dos termos, já que agora você aprendeu como utiliza-los.

Para ler mais sobre a polêmica destes termos, veja esta reportagem do The Huffing Post e este post do blog da NASA.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Mais uma indicação

Pela segunda vez, venho compartilhar com nossos leitores mais uma boa crítica recebida por este blog. Desta vez, foi o blog do CRBio 4 (MG, GO, DF e TO). Luiz e eu (Breno Alves) ficamos muito felizes com este tipo de acontecimento, nos dando mais energia para melhorarmos ainda mais o conteúdo deste blog. Obrigado a todos os nossos leitores!

Clique aqui e veja o link do post com a crítica sobre o Discutindo Ecologia.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Jóias da evolução





A primeira edição do periódico Nature deste ano me trouxe uma grande e boa surpresa. Em um esforço para difundir a força da teoria que mudou não só o rumo da biologia como de quase todas as outras ciências, o periódico americano disponibilizou um artigo que reúne 15 "jóias" da evolução. De forma bem simples e didática, cada "jóia" é comentada e contextualizada, com direito a link para o artigo, fontes extras e até vídeos. E o melhor de tudo, todos os artigos originais estão disponibilizados gratuitamente. Para baixar o pdf do artigo, é só clicar aqui: http://www.nature.com/evolutiongems

Tirando a barreira da língua, acho uma ótima iniciativa. Todo professor tanto de escola quanto universitário deve ter acesso a este tipo de material. Como discuti com o Charles outro dia, atualmente o que mais fazemos é "forçar" as pessoas a acreditarem na gente. Muito pelo discurso distante da realidade das pessoas, muito pelos nossos títulos, dentre outros. Acabamos não muito diferentes do que pastores ou padres. Donos da "verdade absoluta". Temos que buscar um discurso mais palatável, trazendo a ciência para mais próximo do aluno. Desta forma, a iniciativa do periódico Nature, tanto pelo conteúdo quanto pela disponibilização gratuita, deve ser louvada.

Para conhecer mais sobre esta e outras iniciativas da Nature, visite o sítio especial do periódico em homenagem aos 200 anos de nascimento de Charles Robert Darwin.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Uso de animais em pesquisa - campanha da FAPERJ

Depois de muita discussão infundada pela grande mídia brasileira sobre o tema, no último mês de outubro foi sancionada a lei que regulamenta o uso de animais em pesquisa científica no Brasil. Um dos grandes tópicos desta lei é a criação do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), responsável por credenciar instituições para criação e utilização de animais destinados a fins científicos e estabelecer normas para o uso e cuidado dos animais. Participarão do conselho a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), representantes dos ministérios da Educação, do Meio Ambiente, da Saúde e da Agricultura; o CNPq; o Conselho de Reitores das Universidades do Brasil (Crub); a Academia Brasileira de Ciências (ABC); a Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE); Colégio Brasileiro de Experimentação Animal (Cobea); Federação Nacional da Indústria Farmacêutica; e dois representantes de sociedades protetoras dos animais legalmente estabelecidas no país.

Não consegui achar nada no sítio da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro) sobre o assunto, mas achei muito interessante o conteúdo destes cartazes, fixados no corredor do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, no Centro de Ciências da Saúde, UFRJ. Se em algum momento os "defensores" de animais pensassem seriamente no conteúdo destes cartazes, tenho certeza que eles concentrariam esforços em regulamentar o uso de animais em pesquisa e não em proibir. Seguem abaixo as fotos que eu fiz dos dois cartazes.


Animal Use in Research - Brazilian CampaignAnimal Use in Research - Brazilian Campaign

PS.: Desculpem a baixa qualidade, fiz as fotos com o meu celular.

Para saber mais sobre a lei aprovada em outubro, clique aqui.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Fomos recomendados pelo site da UEG

Semana passada nosso blog foi recomendado pelo site da Universidade Estadual de Goiás nos links da semana. Quem indicou o nosso link foi o Prof. Ronaldo Angelini e autor do blog Bafana Ciência. Nessa mesma lista de recomendações também foi citado o blog Ciência Brasil do Prof. Marcelo Hermes da UnB, o que foi mais um motivo de orgulho para nós, pois é uma honra dividirmos a lista com blogs desse nível.


Clique aqui e veja a lista completa dos sites recomendos.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Qual o valor de um projeto científico?


Hoje de tarde, ao ler a Nature News me deparei com uma notícia que discutia financiamento de pesquisas científicas. O foco dela era um experimento nos EUA que simulava o crescimento de florestas em uma atmosfera com 550ppm de CO2. Em um primeiro momento, achei muito interessante pois era um experimento enorme (realizado na própria floresta), porém no meio da leitura me deparo com as cifras do projeto. Eram duas localidades analisadas, sendo que em uma eram gastos $3 milhões de dólares (sendo $900.000 somente com o contínuo acréscimo de CO2 na atmosfera e com a engenharia do projeto) e no outro eram gastos $2 milhões de dólares, sendo que a escala de tempo era anual! (isto mesmo, $5 milhões de dólares por ano!)

Parei, pensei e analisei a situação brasileira. Por exemplo, vejo alguns institutos de pesquisa aqui da UFRJ com grandes projetos, alguns custando milhões de reais. Desenvolvimento de tecnologias envolvendo a exploração do petróleo são extremamente incentivadas, bem como o estudo de doenças genéticas extremamente raras na população. Todas estas pesquisas são de grande importância, não existe o que discutir sobre isto.

Indo um pouco mais além, vejo laboratórios super modernos, com equipamentos de milhões de dólares (microscópios eletrônicos, seqüênciadores, pirosequenciadores, espectrômetros de massa e outros), porém outros laboratórios o equipamento mais caro é o computador ou algum outro aparelho que não chega nem ao custo de operação mensal de alguns destes super equipamentos. Claro, algumas pesquisas não necessitam de aparelhos mais refinados, e nem por isso são menos importantes. Toda vertente científica tem seu valor intrínseco. O conhecimento não tem preço. Porém porque o orçamento de alguns laboratórios varia por volta de R$10.000 e outros por volta de milhões de reais?

A questão que quero chegar é que vejo algumas áreas da pesquisa científica sendo super valorizadas. Grandes somas de recursos são destinados a elas, mas será que isso é de extrema importância para o lavrador que mora no interior do nordeste? Deciframos o genoma humano, mas ainda sofremos com surtos de dengue, malária e outros. A doença de Chagas ainda mata milhares de pessoas. Indo mais além, queremos analisar como crescerão as florestas com uma atmosfera com 550ppm de CO2 na atmosfera, mas talvez antes disso não teremos mais a nossa Mata Atlântica.

Na minha humilde opinião observo que os recursos são distribuídos de maneira tendenciosa. Moda? Foco na mídia? Melhores publicações? Importância do chefe do laboratório dentro da universidade? Valorização de pesquisas parecidas com as feitas nos países desenvolvidos? Não posso dizer que é uma coisa só. São várias ao mesmo tempo.

Precisamos valorizar a pesquisa nacional, pesquisa para os nossos problemas (ambientais, sanitários, o que for). É claro que temos que participar de pesquisas de ponta, nosso país precisa disso. Porém não podemos canalizar a maioria dos financiamentos para estas frentes. Não podemos querer ficar imitando pesquisas de países desenvolvidos. Nossas crianças ainda morrem por desnutrição, milhares de pessoas não tem atendimento médico nem acesso a educação.

É... nós cientistas dentro de nossas salas com ar-condicionado devemos ter consciência da nossa responsabilidade. A sociedade investe grandes cifras em nós para melhorarmos a sua qualidade de vida. Será que estamos fazendo isso? Será?

PS: Será que eu deveria estar lendo a Nature News? Ou alguma revista nacional? rs

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Ver Ciência 2008




Para quem não conhece, as mostras do Projeto VerCiência já ocorrem em várias partes do Brasil desde 1994. Segundo o site oficial , "O projeto tem como missão 'promover e incentivar a disseminação do conhecimento e da cultura científica pela televisão'. Os programas de TV de diversos países – em sua maioria inéditos no Brasil – selecionados para as mostras anuais itinerantes são exemplos de como a ciência e a tecnologia podem ser apresentadas de forma compreensível, atraente e até como entretenimento cultural de qualidade".

O tema deste décimo quarto ano do projeto é "Evolução e Diversidade", então vídeos da grande área das ciências biológicas foram os mais contemplados. O catálogo completo deste ano pode ser visto aqui. As cidades contempladas por este evento são Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, mas o projeto alcançará todo o brasil devido a sua participação na Semana Nacional de Ciência e tecnologia.

Para ver a programação da mostra em cada cidade, veja os links abaixo:

CCBB Brasília (21 de outubro a 2 de novembro)
CCBB Rio (20 de outubro a 9 de novembro)
Estação Ciência (SP) (20 a 26 de outubro)
Catavento (SP) (20 a 26 de outubro)

Para quem é do Rio, outro lugar que também estará exibindo parte da mostra é o Centro de Tecnologia (CT), na ilha do fundão. O evento ocorrerá no Salão Nobre da Decania do CT, 2º andar do Bloco A, localizado na av. Athos da Silveira Ramos, 149, Cidade Universitária. Mais informações aqui. Segue abaixo a programação:

SELEÇÃO WGBH (11h) PROGRAMAS DE 60 min

• Dia 20/10 - EVOLUÇÃO-1: A REVOLUCIONÁRIA IDÉIA DE DARWIN (partes 1 e 2)
• Dia 21/10 - EVOLUÇÃO-2: GRANDES TRANSFORMAÇÕES
• Dia 22/10 - EVOLUÇÃO-3: EXTINÇÃO
• Dia 23/10 - EVOLUÇÃO-4: POR QUE SEXO?
• Dia 24/10 - EVOLUÇÃO-5: AS ORIGENS DA MENTE HUMANA (excepcionalmente às 12h)

SELEÇÃO BBC (12h) PROGRAMAS DE 50 min

• Dia 27/10 GRANDES BRITÂNICOS: DARWIN
• Dia 28/10 A VIAGEM DO BEAGLE
•Dia 29/10 A ENERGIA É A CHAVE
ORF – Áustria, 45 min (Este último faz parte da seleção de Programas internacionais).