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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Mais uma furada do Greenpace.

Essa é uma organização que decepcionou muito. No início de minha vida acadêmica, respeitava muito o Greenpace. Achava que somente com ações um pouco menos ortodoxas conseguiríamos fazer com que as pessoas pensassem sobre meio ambiente.

Bem, nem preciso falar que logo me frustrei com a efetividade de tais ações. Hoje, nós cariocas, tivemos mais uma confirmação desse assunto. Vinte integrantes foram até o vão central da ponte Rio-Niterói e, com ajuda de técnicas de rapel, estenderam uma faixa gigantesca. Porém, o horário dessa manifestação foi logo cedo, horário de pico na ponte. Nem preciso dizer o caos que se tornou a cidade de Niterói. Quilômetros de engarrafamentos, trabalhadores chegando atrasados e muitos outras transtornos foram gerados. Para quê? Para estender uma faixa (escrita em INGLÊS!!) alertando os participantes do G20 para os problemas ambientais e problemas com a população.

Como são imbecis!!!! Gerando engarrafamentos monstruosos????? Maior emissão de gases estufa pelos carros??? Querem que as autoridades se preocupem com o meio ambiente, mas eles próprios intensificam outros problemas? Querem ajudar a população, mas geram engarrafamentos, podendo alguns perderem os empregos ou compromissos sérios?????

São uns demagogos, não prestam para nada! O WWF é menos pior, pois ainda financia pesquisas. Eles abrem editais para isso. É vergonhoso ver uma atitude dessas. Mas não era de se esperar o contrário do tipo de pessoas que realmente fazem parte de movimento, e não alguns que dão uma contribuição (para algo que eles nem sabem como funciona direito) sentados na poltrona de suas casas.

O mais engraçado foi ouvir no rádio o Ricardo Boechat (Rede Bandeirantes) dizendo que a única coisa que ele tinha para falar em Inglês para os integrantes de Greenpace era “F**k you”. É fácil fazer esses montes de merda tendo dinheiro no bolso (como é a maioria desses radicais), difícil é ficar sentado no ônibus esperando horas para chegar no trabalho por causa de ações que não levam a nada.

sábado, 28 de março de 2009

Não apague suas luzes hoje às 20:30

Para início de conversa, alguém já passou no site do WWF para entender o motivo deles estarem fazendo esta campanha? Se ainda não tiveram este prazer, eu vou discutir um pouco isso.


Essa é a primeira eleição que acontece simultaneamente no mundo inteiro. No páreo, estão o nosso planeta e o aquecimento global. Para quem você vai dar seu voto?

No dia 28 de março, você pode dar seu voto pela terra, contra o aquecimento global, com um gesto simples: apague a luz da sua sala.
Ao desligar o interruptor, você já está dando o seu voto. Os resultados dessa grande eleição mundial serão apresentados na Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, que acontece em Copenhagen, em dezembro desse ano. Nós queremos reunir 1 bilhão de votos pelo planeta, para mostrar aos nossos líderes que precisamos agir contra o aquecimento global. Por isso, cada voto é importante, inclusive o seu!

Fonte: WWF


Vamos tentar entender esse mix de linguagem infantil com desinformação. Páreo entre nosso planeta e o aquecimento global? Não estava sabendo desta briga. E ainda mais que eu poderia votar no aquecimento global! Realmente a ideia foi muito boa. Cada luz apagada da sala (?!?) é um voto, assim teremos dados para mostrar para os políticos que somos a favor do planeta e contra o aquecimento global! Oba !!! Isso é uma piada?

Agora uma coisa que eu gostei muito. Apagamos somente a luz da sala? Pelo que eu tinha entendido era mais uma campanha educativa para diminuição do consumo de energia elétrica. E parece que o pessoal que fez a campanha também não sabe muito bem o motivo dela. Naquele videozinho piegas da campanha deste ano, podemos ler frases como “Esforço global”, “Movimento em prol do planeta”… então é um esforço para refletir sobre a diminuição do consumo de energia do mundo ou para dar um voto em uma pesquisa?

Se for um voto em uma pesquisa, acho que seria muito melhor um abaixo assinado. Simples, direto e que todos poderiam participar (continuaria sendo piegas, mas pelo menos seria mais eficiente). Ah, mas apagar as luzes é uma atitude legal! Nosso esforço contra o monstro do aquecimento global!!! Mas e as pessoas que não tem acesso a energia elétrica em casa? No Brasil, mais de 12 milhões de pessoas não tem acesso a energia elétrica em suas casas, sendo 10 milhões no meio rural. O índice de exclusão elétrica no Acre e no Amazonas ultrapassa os 70% da população do campo. No nordeste, 58% dos domicílios rurais não são atendidos pela rede elétrica. Vamos deixar estas pessoas de fora da “pesquisa”? Os que serão os principais atingidos pela mudança do clima? Os dados citados são do programa “Luz para todos”, do governo federal. Você pode baixar o pdf com dados sobre o plano aqui. Gostaria de convocar um movimento “Apaguem as velas hoje às 20:30”, para incluir na pesquisa as pessoas que não tem acesso a luz no Brasil.


matriz-energetica-brasil

Fonte: Plano nacional sobre a mudança no clima, 2008.


Vamos esquecer por um minuto (e não 1 hora como na campanha) os excluídos de eletricidade no Brasil. Vamos pensar que todos temos energia elétrica em nossas casas. Então a campanha do WWF seria muito legal, pois incentiva a redução do consumo de energia elétrica no Brasil, combatendo o aquecimento global! Não, muito longe disso. Como você pode ver no gráfico acima, a energia elétrica oriunda de hidrelétricas é responsável por 80% da nossa matriz energética. Essa fonte de energia é renovável, tendo uma emissão de gases estufa muito menor do que termelétricas. Somente as usinas do norte do Brasil evitariam a emissão de 183 milhões de toneladas de CO2 equivalente até 2016, segundo o plano nacional sobre a mudança no clima.


emissão-co2

Emissão de CO2 por setor, 1994. Fonte: Plano nacional sobre a mudança no clima, 2008. Para baixar o pdf, clique aqui.


No mundo inteiro a produção de energia através de combustíveis fósseis é a principal responsável pela emissão de gases estufa, o que é completamente diferente no Brasil. No gráfico acima podemos ver que o problema aqui é o desmatamento. Então porque vamos apagar as luzes se a principal via de emissão de nosso país é o desmatamento?

Pensando em tudo o que eu escrevi neste post, gostaria que cada um pensasse muito bem não só no que vai fazer hoje às 20:30 mas também no que faz na sua vida. Se a sua consciência vai ficar melhor se você apagar as luzes hoje a noite, vá em frente. Mas tenha a certeza que isto não mudará em nada o que está acontecendo no mundo ao seu redor. Leia, seja mais crítico, eleja políticos honestos. Estimule isso em seus amigos e familiares. Isto sim vai ser importante para nosso planeta.

Vejo que não estou sozinho nesta briga contra a “hora do planeta”. Leiam a opinião do Carlos Hotta sobre o assunto. Aqui a opinião do Liberal, Libertário, Libertino e não poderia faltar a opinião do Cardoso. Mais uma do Cardoso, comentando um epic FAIL. E agora a opinião de Carlos Pacheco, do ótimo Geófagos.


quarta-feira, 25 de março de 2009

“Eco-hipocrisia”, “Eco-demagogia”

Depois da tentativa frustrada de entrevista do Felipe e da recente reação da blogosfera científica sobre a medíocre qualidade do jornalismo cientifico nacional, venho me aventurar neste meio. Sexta-feira passada estive no Centro de Tecnologia da UFRJ, mais especificamente no auditório 122 da COPPE (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e pesquisa de engenharia) para assistir a mais uma reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas. Esta reunião contou com a ilustre presença de nosso ministro do meio ambiente Carlos Minc e do coordenador geral do Fórum e diretor da COPPE, Prof. Luiz Pinguelli Rosa.

 

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Minc com seu colete característico e a sua esquerda o Prof. Pinguelli

 

Além da revisão do nosso inventário de emissão de gases estufa e da imposição da compensação das emissões de CO2 para a liberação da licença ambiental de novas termelétricas (destacado pela cobertura do jornal da ciência e da agência UFRJ), vários outros pontos interessantes foram destacados por nosso ministro. E é o papel deste humilde cientista jornalístico (?) publicar sua visão do evento, tentando fugir um pouco da mesmice da cobertura jornalística habitual.

Um rápido e interessante histórico do Plano Nacional sobre Mudança no clima foi feito. Minc ressaltou todos os problemas iniciais deste documento e como ele foi alterado e melhorado depois da fase de consulta pública. Mesmo tento uma matriz energética relativamente limpa (devido a grande participação da energia hídrica), o futuro é cada vez mais sujo para o nosso país. Fazer um planejamento onde há uma previsão de construção de 81 termelétricas até 2017 mostra que estamos bem longe de uma matriz limpa no futuro.

E qual foi a principal conclusão do nosso ministro? Estamos longe de ser “burros” ou “malvados” por autorizar a construção de um número absurdo de termelétricas ao invés de investir em energias renováveis. Minc reforça que houve um “nó” no licenciamento de novas usinas hidrelétricas e que o problema da falta de energia teria que ser resolvido de algum jeito. Se não é pelo jeito limpo, o que nos resta? A solução encontrada por ele é focar na agilização do processo de licenciamento ambiental no brasil. A ideia é simples: analisar os processos de licenciamento em bloco, fazendo com que os projetos “inviáveis” (palavras do ministro) não sejam colocados no mesmo patamar de projetos possíveis, diminuindo o tempo de análise e aumentando o número de licenciamentos concedidos. Resumindo, se não podemos acabar com a burocracia, filtramos os processos de licenciamento antes deles serem analisados em profundidade. Assim os projetos viáveis não sofrem atrasos absurdos como o que acontece hoje em dia. As usinas hidrelétricas modernas estão longe de serem uma Balbina. Elas possuem uma alta eficiência energética (menor relação área alagada/energia gerada) e podem ser instaladas como “plataforma”, sem a necessidade de grande infra-estrutura na área de entorno, o que diminui muito o impacto ambiental do empreendimento.

 

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Qual é então o maior problema  do licenciamento das hidrelétricas no Brasil segundo nosso ministro Carlos Minc? “(…) O Governo quer todas as usinas e os ambientalistas nenhuma”. Foi aí que os termos que intitulam este post entraram em pauta. Minc chamou os ambientalistas de “eco-hipócritas” e “eco-demagogos” por fazerem pressão para barrar todo e qualquer projeto de novas usinas hidrelétricas, o que gera uma grande defasagem na geração de energia. Consequência deste ato “verde”? Licenciamento de termelétricas. Assim os ambientalistas dormem tranquilamente achando que estão salvando o Brasil da malvada e “falsa” energia limpa das hidrelétricas e acabam sujando muito mais nossa matriz energética com o consequente licenciamento de termelétricas. Devemos investir em energia eólica, solar e biomassa? Claro que sim. Mas não licenciar usinas hidrelétricas modernas com todo esse potencial hídrico que ainda temos é um tiro no pé. Nenhum país sério investe só em um tipo fonte de energia, ainda mais em fontes caras e inconstantes como as chamadas “verdes”.

 

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Além das felizes expressões, Minc também anunciou novidades muito interessantes como a criação de um “IPCC brasileiro”, onde mais de 300 cientistas de todo o brasil formariam um painel nacional para a mudança do clima. Além disso, depois de ser questionado quanto a necessidade de um inventário não só da floresta amazônica, mas de todos os biomas brasileiros, o ministro do meio ambiente afirmou que em breve anunciará convênios com universidades públicas para o monitoramento do cerrado, caatinga e mata atlântica. Aguardamos novidades em relação a este projeto.

 

Palmas para Minc. Colocando os ambientalistas no seu devido lugar. O da hipocrisia e demagogia.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Ciência é besteira?

Em um artigo bastante equivocado, a editora da revista Época Ruth de Aquino avalia o papel da ciência na nossa sociedade. Bem, a palavra não seria bem “avaliar”, está mais para uma diarréia mental de uma pessoa que não entende nada de ciência. Carlos Hotta do Brontossauros em meu jardim comentou essa artigo brilhantemente.

Porém levanto mais uma questão: Aonde estão nossos cientistas para se defenderem? Ela simplesmente reduziu a ciência a um apanhado de dados óbvios que somente confirmam o senso comum. Será que nossos cientistas se acham tão superiores em suas redomas de conhecimento que não precisam se defender? Aonde está um comunicado oficial de uma universidade federal qualquer?

Isso foi um insulto a ciência brasileira e mundial. Poderíamos resumir o jornalismo brasileiro como sendo manipulativo, pois como bem sabemos, a globo distorceu o debate entre os candidatos Lula e Collor, ou também resumiu, em um primeiro momento, a marcha dos caras pintadas como sendo uma manifestação por carteiras de estudantes para pagar meia entrada. Ou o caso mais clássico, ter aparecido na cobertura do jornal nacional o comício das diretas já como sendo uma showmício em comemoração do dia dos trabalhadores. É fácil selecionar uns poucos fatos e generalizarmos para toda uma categoria.

Essa atitude afasta ainda mais nossa sociedade da ciência. Somado a um afastamento já existente pela própria postura da academia, nosso povo tem toda razão de questionar os poucos milhões de reais que ainda são investidos em ciência e tecnologia.

Cientistas do Brasil, mostrem suas caras! Defendam-se!

quinta-feira, 19 de março de 2009

Pós-graduação para quê?

Passei seis anos da minha vida dedicados a academia. Iniciação científica, mestrado e um doutorado engatilhado. Porém entre o doutorado e o mestrado, tive um ano para repensar minha vida. Diferente dos anos anteriores onde fui emendando uma coisa na outra,  a onda acadêmica me levava.

Para que eu faria um doutorado? Prazer, realização pessoal, orgulho, gostar de ciência… tudo isso eram atrativos. Porém, toda hora me vinha a cabeça o tempo entre o mestrado e doutorado que fiquei sem bolsa. Me encontrei no limbo, sem contato nenhum fora da universidade e sem possibilidade de ganhar dinheiro dentro dela. E foi nessa situação de extrema tristeza e desilusão que tomei algumas atitudes para minha nova vida.

Isto mesmo, como na alegoria da caverna de Platão. Um mundo de sombras. A sombra da publicação, a sombra da pressão do seu programa de pós-graduação, a sombra do seu orientador, entre outras. É… o mundo de ilusão da universidade é muito sedutor. Professores com egos inflados, viajando pelo mundo (e de graça! Como vocês sabem a universidade sempre libera verba para esses “congressos”). Eu admirava isso. Toda essa politicagem dentro dos institutos. Estava cercado de Pseudo-Deuses.

Sempre imaginei: “Poxa, me formei numa universidade ótima, tenho mestrado nessa mesma universidade, arrumo emprego quando quiser…” Nem preciso dizer que quebrei a cara. O mundo real é diferente, as coisas são bem mais difíceis! Os contatos são muito importantes. Por sorte, acabei conseguindo trabalho alguns meses depois. Hoje, leciono em dois colégios. Mas, trabalhar como biólogo ainda não consegui.

Nesse momento, me pergunto: E se eu tivesse um doutorado? Bem, na minha humilde opinião, seria a mesma situação, só que 4 anos a mais na falta de experiência no mercado. Qual o futuro de um Doutor no Brasil? Se não for para ser professor de Universidade ou em um raro centro de pesquisa, acho que só vale de pontos a mais um uma possível prova de título em um concurso público. Nosso país precisa absorver esses pós-graduados. Não podemos ter a profissão de pesquisadores? Nosso país gera tanta tecnologia assim para a quantidade de doutores e mestres que produzimos? Ou será que estamos formando uma massa de desempregados super qualificados? Qual o futuro de um doutor? Pós doutorado atrás de pós doutorado para ter uma bolsa?

Um doutor não pode nem financiar um carro no nome dele. Ele não tem comprovante de renda! É um absurdo! Temos prazo de validade, esse prazo é a data do término da bolsa! Ou quem sabe, te pasteurizam de novo e prolongam essa prazo por mais 2 anos.

É nesse contexto que vemos as notícias de fraude de dados se ampliando cada vez mais. É a pressão para sermos os melhores do mundo, temos que publicar em revistas internacionais. Fazer ciência para o Brasil e publicar para gringos. Tenho certeza que o número de pessoas que leram os trabalhos que participei como um dos autores é ínfimo diante das pessoas que já leram o que escrevi nesse blog.

Mas aonde quero chegar? Acredito que é vital que o Brasil crie instituições para absorver todos estes cientistas altamente qualificados. Pois, ou os perderemos para o exterior ou não vão trabalhar na área que foram altamente capacitados a trabalhar (investimento de milhares de reais no lixo). Ou se não, teremos que abrir 1 milhão de universidades para ter vaga para tanto professor!

Bem, essa é minha humilde opinião. E que venham as críticas…rs

terça-feira, 3 de março de 2009

Sobre adsense e blogs de ciência


Descobri hoje via twitter que o famoso blogueiro de ciência americano PZ Myers vai passar a ter uma coluna no jornal britânico de renome internacional "The Guardian". Na verdade ele não escreverá sozinho esta coluna. Além do biólogo-blogueiro, também foram recrutados um físico, um psicólogo, dentro outros. Cada um deles será responsável por uma coluna mensal, em um blog dentro do sítio do The Guardian.

Bem, com nomes de peso achei que valeria a pena a visita do novo blog. O conteúdo é bem interessante e vale a visita. Mas o que me motivou a escrever este post não foi a qualidade do blog. O motivo real foi um susto que eu levei quando entrei lá pela primeira vez (e que se mantem até agora no ar).





Reparem nos banners de propaganda na barra lateral e no topo do blog. Se você desconfia que tem algo de errado em uma revista que estampa na capa "Criação ou Evolução", você acertou em cheio. Não é só uma revista com um conteúdo criacionista tradicional (pseudociência de quinta categoria). É uma revista de ótima qualidade gráfica que é entregue de graça na sua casa com conteúdo criacionista tradicional. Então vamos refletir. Uma propaganda em um blog sobre ciência, no sítio de um dos jornais de mais prestígio do mundo. Você confiaria na fonte? Tenho certeza que 99,9% das pessoas confiariam. Ainda mais que você pode ganhar um livro de graça! Pessoas acreditam em qualquer bobagem na internet, imagina em algo dentro de um portal de pestígio. Pelo resumo do livro você já pode ter uma ideia do conteúdo. Tirei uma pérola dando uma olhada rápida no pdf do livro. Ele começa devagar, mas já mostra para o que veio.

"Evolucionistas exercitam a percepção seletiva quando olham para a evidência - como decidir se o copo está meio cheio ou meio vazio. Eles escolhem insistir mais em similaridades do que em diferenças. Fazendo isso eles te levam para longe da verdade da matéria: que similaridades são evidências de um designer comum atrás da estrutura e funcionamento das formas de vida."

Creation or Evolution? Página 32.


Uma pergunta simples seria..."Como o The Guardian deu espaço para uma propaganda deste tipo em seu blog de ciência?". O jornal não "deu espaço" para esta notícia específica. Ele apenas se rendeu ao senhor da internet mundial, aquele que não podemos citar o nome. O mais odiado e adorado. O Google. Este não é um problema apenas do blog de ciência citado acima. A maior parte dos blogs, principalmente do blogspot (serviço 'gratuito' do google), utilizam a ferramenta de propaganda chamada adsense. As vezes podemos ver vários banners de propaganda antes mesmo de um blog novo ter mais do que 1 post. As pessoas fazem isso porque ganham rios de dinheiro com o Google Adsense? Não, longe disso. Para ganhar dinheiro com adsense você precisa apenas de uma coisa: milhares de acesso. A maior parte dos blogs estão longe de terem centenas de acessos por dia. Desta forma fazemos propaganda praticamente de graça e, dependendo da sorte, apresentamos propagandas com um conteúdo bem questionável dentro dos nossos blogs. Esse problema se agrava quando estamos falando de blogs de ciência.

Como muito discutido no EWCliPo, blogs de ciência realmente nunca terão o mesmo número de acessos de blogueiros profissionais como o Cardoso e o Edney. Podemos procurar maneiras de aumentar nossos acessos, mas cair em certas armadilhas é muito fácil. Vamos falar de temas mais populares? Linguagem mais simplificada? Estes podem ser caminhos. Mas queremos isso para os nossos blogs ? Temos a ferramenta ideal, onde não estamos submetidos a ditadura da maioria dos canais de televisão. Publicação fácil de textos, alcance quase ilimitado. De certa forma, o lucro com blogs (através de propaganda) pode ser a morte prematura de uma ótima ideia. Não em blogs em geral, que visam apenas mais acesso e grana. Mas em blogs que visam o conteúdo, como os "blogs de ciência".

Podemos cair no mesmo erro da televisão aberta e da paga. Mesmo em canais que teoricamente não são tão pressionados pela audiência como o Discovery Channel, podemos ver o crescente e avassalador domínio da pseudociência e ambientalismo. OVINIs, espirítos e "termas verdes" são pautas recorrentes da programação. Um canal que tinha tudo para focar em ciência tomou um caminho bem diferente. Será que é pela qualidade da equipe? Talvez. Mas acho que nada é maior do que a pressão do público. Eles transmitem o que o público quer, o que dá audiência. Algo fora deste escopo acaba tendo baixa audiência, o que resulta em menos publicidade. Queremos passar por esta pressão da audiência?

Depois de refletir sobre tudo isso, resolvi fazer um adsensecídio. Como vocês devem ter percebido, o blog não apresenta mais propagandas de qualquer tipo. Pode não parecer nada demais, mas acho que é importante a reflexão em escala maior. Precisamos sim de leitores, pois sem eles a divulgação científica perde o sentido. Mas a qualquer custo?


Comecei essa discussão com o Charles e Água neste post do "Um longo argumento" e continuamos aqui em um post meu (ver comentários).

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Darwin estava certo

Bem, parece que não fui só eu que fiquei decepcionado com a capa da revista de divulgação científica americana New Scientist sobre Darwin. O filósofo Daniel Dennett, o biólogo Richard Dawkins e dois outros autores também não gostaram nem um pouco de ver em uma revista de grande circulação internacional da frase "Darwin estava errado". Eles demostraram esta decepção em uma carta publicada na última semana pela mesma revista. Para entender melhor o problema, leia o meu post comentando o deserviço prestado pela capa infeliz da New Scientist.

Eles começam de forma bem forte: "O que vocês estavam pensando quando produziram uma capa gritante proclamando que 'Darwin estava errado'?". Os argumentos da carta são bem parecidos com a minha reclamação. Além de ser uma afirmação falsa, ela é sensacionalista. Não acrescenta em nada o que já era conhecido. As ferramentas recentes da biologia molecular não invalidam a idéia da árvore da vida. Ela aumenta a complexidade da árvore e a transferência horizontal em eucariotos ainda é um assunto muito polêmico para se tornar um fato consumado. É claro que dar a faca e o queijo na mão dos criacionistas não poderia ser esquecido nesta carta inflamada. Segundo os autores, "(...) horas depois da publicação, membros da secretaria de educação do Texas estavam citando o artigo como a evidência que os professores precisavam para ensinar 'fraquesas da evolução' inspiradas em criacionismo (...)".

Para terminar, Dennett, Dawkins e colaboradores reafirmam a infelicidade da última edição da New Scientist: "Vocês deram muito trabalho extra, desagradável para os cientistas cujo trabalho vocês deveriam estar explicando para público geral. Todos nós agora devemos tentar corrigir todo o mal-entendido que sua capa produziu".

Assino embaixo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Como NÃO fazer divulgação científica em rede nacional

"O que chamamos de divulgação científica é o reflexo de um modo de produção de conhecimento restringido e, consequentemente da constituição de um efeito-leitor específico relacionado à institucionalização, profissionalização e legitimação da ciência moderna, e que opõe produtores e usuários/consumidores e, cria a figura do divulgador, que viria, imaginariamente, restabelecer a cisão, e minimizar a tensão instaurada ao longo da história no tecido social da modernidade. Essa cisão não é mantida sem tensão, sem a (re)produção tensa de um imaginário que a mantém. É nesse imaginário que trabalha a divulgação científica."


Henrique César da Silva. 2006.
O que é divulgação científica?
Revista Ciência e Ensino


Entendi que devemos tentar minimizar a tensão entre o público leigo e o meio científico. Que devemos restabelecer esta cisão formada ao longo da história. Mas acho que os repórteres da Globo estão pegando pesado. Depois de mostrar para os futuros professores de biologia como NÃO se deve ensinar seleção natural para seus alunos, a segunda parte do seu especial sobre os 200 anos de Darwin chegou ao ponto extremo (pelo menos até aqui, pois ainda faltam 2 partes).

Depois de 21 minutos de programa com uma qualidade razoavelmente interessante, entrevistas (superficiais) com filósofo Daniel Dannet (autor do livro "A Perigosa ideia de Darwin") e com o biólogo Richard Dawkins (que dispensa apresentações), temos um furo muito comum em documentários desta natureza. Depois de 21 minutos sem intervalo de pouco muito conteúdo, o que devemos fazer para manter o público interessado? Fazemos uma analogia sem contexto e que, com certeza, além de errada, não trás nem de longe algum acréscimo de informação. Uma pena. Vejam com os seus próprios olhos.





"Agradecer" a seleção natural? Um "cordão nervoso" ao longo de milhares de gerações deu uma nova função a boca? E isto explica porque beijar é tão bom ? Pelo amor de Darwin. Não tinha nada melhor para fechar um especial sobre os 200 anos de um dos maiores cientistas da nossa história ?

Se isso é divulgação científica, com certeza estou muito longe de fazer isso. E quero continuar assim. Depois dessa experiência marcante, gostaria de convocar todos os biólogos a dedicarem parte ou grande parte do seu tempo a divulgar ciência. Precisam de nós. E com urgência.


Referência:

Henrique César da Silva. 2006. O que é divulgação científica? Revista Ciência e Ensino 1(1): 53-59. Link para o artigo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O conselho mais brilhante que eu já vi (Isso que é se preocupar com o meio ambiente)

Um assunto polêmico tem tomado conta das discussões na Grã-Bretanha. Um dos principais conselheiros para assuntos ambientais do governo britânico foi MACHO de falar que o grande problema ambiental é a superpopulação, deste modo ele recomendou que os casais britânicos não tenham mais que 2 filhos. Mas por que 2 filhos? Quando temos dois filhos compensamos nossas mortes, então duas pessoas botam mais duas no mundo e um dia morrerão. Depois de um tempo esta população entra em um equilíbrio e a taxa de crescimento fica nula. Se cada casal tiver, por exemplo, 1 filho, se este comportamento for incorporado na sociedade, a taxa de crescimento populacional vai ficar negativa. Isto é, a população vai diminuir.

"Muitas organizações acreditam que não é parte de seu negócio. Minha missão com os Amigos da Terra e os Greenpeaces deste mundo é dizer: 'Vocês estão traindo os interesses de seus membros ao se recusar a lidar com questões de população e estão fazendo isso pelas razões erradas, porque acreditam que o assunto é muito controverso'."
Disse o conselheiro Jonathon "cabra macho" Porrit (Tapa na cara de qualquer greenpace da vida!)


Para mim, o grande problema ambiental é suprir a gigantesca população humana com os bens de consumo produzidos pelo capitalismo. Não quero dizer que os mais pobres devem ficar sem direito a nada, pelo contrário, quero que todos tenham um mínimo digno para sua vida. Então o que devemos ter que fazer imediatamente? Parar de fazer com que a população humana cresça! E como? Controle de natalidade. Mas tem que ser algo imposto pelo governo? Não! Isso seria uma ditadura. Temos que conscientizar todos na população. Por que uma garota de classe média tem direito de tomar seu anti-concepcional (que ela guarda dentro de sua caixinha rosa da Hello Kitty) e uma menina que mora na favela nem sabe que isso existe?

A escolha de ter 1, 2, 4 ou 20 filhos é da pessoa, mas duvido que se ela tivesse um esclarecimento do problema que isto pode causar, primeiramente, para seus próprios filhos e depois para o meio ambiente e sociedade, que esta pessoa teria mais que 2 filhos. Mas nossos governantes precisam de uma grande massa sem esclarecimento, ops, deixa pra lá!


Cadê o PlayStation deles? (Só seu filho merece?)


Precisamos de políticas públicas de esclarecimento do controle de natalidade. Precisamos mostrar as alternativas contraceptivas para todos, independentemente de sua classe social. Imagina se todos os chineses resolvessem comprar um I-Pod cada... Não ia ter matéria prima para isso no nosso planeta!

É claro que o conselheiro sofreu muitas críticas sobre seus comentários, sendo chamado de maluco por alguns. É difícil jogarem na sua cara que a Amazônia, por exemplo, está sendo destruída para que mais aço seja produzido, para quando seu terceiro filhinho fizer 18 anos, você possa dar um carro para ele. Mas o mais sinistro é que para um menino pobre de 12 anos, o aço mais perto das mãos dele é de uma arma, seja para a guerrilha urbana (ex. Rio de Janeiro) ou seja para guerras étnicas (Ex. Dafur).

Na minha humilde opinião: Primeiro devemos parar de crescer, depois vem a tentativa de uma sociedade mais igualitária. Não é você enchendo sua banheira de hidromassagem até o meio, ou usando sacola de paninho para ir ao mercado, ou trocando suas lâmpadas... entre outros mil exemplos ambientalistas piegas, que você vai ajudar mesmo o meio ambiente! Quer ajudar? Use camisinha ou pílula! E dissemine essa idéia (e não seus espermatozóides, para os meninos é claro!)

Fonte: O Globo - Ciência

sábado, 24 de janeiro de 2009

Agora sim! É para chorar...

Diante de todas as discussões sobre pseudo-ciências e religião, acabo de ler em um jornal de grande circulação aqui no Rio de Janeiro uma notícia de deixar qualquer ser racional de boca aberta. Nosso novo e querido prefeito Eduardo Paes acaba de pedir socorro a FCCC para o combate as chuvas de verão. Então você me pergunta, o que é a FCCC? É a Fundação Cacique Cobra Coral! Por meio da médium Adelaide Scritori, o espírito do Cacique Cobra Coral é incorporado, sendo capaz de afastar (isso mesmo, AFASTAR) as chuvas de verão do Rio de Janeiro. Essa fundação já mantinha um convênio com a administração passada, porém desde o dia 31 de dezembro este convênio não foi renovado.

A FCCC diz não cobrar nenhuma verba da prefeitura do Rio de Janeiro para a formalização do contrato. Deste modo, o secretário de Obras e Serviços Públicos, Luiz Guaraná disse que se o convênio não tem custos para a prefeitura e tranquiliza a população, será renovado com muito prazer. Porém um diretor da fundação diz que além da parte mediunica (essa parte espiritual é de graça), a fundação conta com uma equipe de metereologistas que custa R$60.000 por convênio. Me pergunto, então da onde virá os R$60.000 mensais? (pense bem meu caro leitor) Nossa, essa é para pegar uma espingarda calibre 12, apontar para minha própria cabeça e disparar. A fundação diz que seu maior feito foi ter feito não chover durante uns poucos minutos durante a festa da queima de fogos no Reveillon carioca. Observação: isto porque choveu durante o dia inteiro.

A cada ano que passa, os temporais no Rio de Janeiro tem consequências mais desastrosas em nossa cidade. Barreiras desmoronam, crianças morrem soterradas, milhares de pessoas ficam desabrigadas, caos no trânsito e outros. Isto com a ajuda da eficiente fundação, tanto com a ajudas dos espíritos, como com a ajuda dos meteorologistas.

Agora me pergunto, por que uma fundação que diz controlar o tempo (como a Tempestade do X-men) precisa de uma equipe de meteorologistas? Se ela diz não cobrar a parte espiritual, por que não contratam somente os mediuns (não que isso seja uma coisa boa) e deixa a parte meteorológica com os especialistas que já existem?


Por que não chamamos ela? Marvel cadê você???


É para perder as esperanças. O prefeito que se diz católico, recorre ao espiritismo (ou seja lá qual for a religião que incorpora o Cacique Cobra Coral) para resolver problemas meteorológicos! (nunca entendi essas pessoas religiosas). Não é mais fácil dar um jeito na cidade? Modernizar o sistema de captação das águas pluviais, impedir que milhares de toneladas de lixo sejam jogadas nos nossos rios, que construções irregulares sejam feitas as margens desses mesmos rios ou em encostas com risco desmoronamento.

Bem, acho que vou fundar uma fundação espírita (essa parte de graça), mas com uma equipe de geólogos, engenheiros e biólogos especialistas em planejamento urbano. Essa fundação será especialista em controlar as mortes por soterramento e deslizamentos de terra em encostas. Os especialistas também são de graça, só cobramos o charuto (cubano) e a arruda por módicos R$50.000 mensais. É porque como as coisas aqui estão pretas, vai ser preciso muito charuto e arruda para dar jeito!

É isso que dá misturar religião e ciência (meteorologia). É uma irresponsabilidade e falta de discernimento a cogitação de tal convênio. Nossos governantes perdem tempo com coisas desse tipo, ao invés de pensarem em solução realmente concretas e factíveis. Perder tempo com isso, é gastar o meu dinheiro que pago em impostos em ações que não vão adiantar em nada. Pessoas continuam morrendo, casas continuam a ser destruídas e o trânsito continua um caos.


UPDATE - 25/01/09


Consegui achar o link para um resumo da reportagem. Vejam com os seus próprios olhos no sítio do jornal O Globo.

Para conhecer um pouco mais da fundação, olhem só o que tirei do sítio deles, da parte de "Quem somos":

A Fundação Cacique Cobra Coral foi criada para intervir nos desequilíbrios provocados pelo homem na natureza. Fundada por Ângelo Scritori e tendo a frente sua filha Adelaide Scritori também médium que incorpora o espírito e mentor Cacique Cobra Coral que também já teria sido de Galileu Galilei e Abraham Lincoln. Ângelo Scritori, morreu aos 104 anos, no ano de 2002.

Adelaide Scritori nasceu acompanhada de uma profecia.

História

Uma certa noite ao norte do Paraná, geava fortemente sobre o sítio da família, momento em que sua mãe entrou em trabalho de parto. Tão forte a geada que toda a plantação de café da pequena propriedade foi perdida. Ângelo Scritori afirma que naquela noite a profecia havia acontecido, o espírito do Padre Cícero (1844-1934) se manifestou, como costumava acontecer, por meio dele. Avisou, daquela feita, que a mais nova integrante da família teria poderes para se comunicar com outro espírito, um ente poderoso o suficiente para alterar fenômenos naturais.

Sete anos depois, já menina, Adelaide lembra ter recebido pela primeira vez, no centro espírita freqüentado pelos Scritori, as mensagens enviadas pelo Cacique Cobra Coral. Espírito que já teria sido Galileu Galilei e Abraham Lincoln. Anos depois Ângelo Scritori criou a Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC) que logo passou a ter Adelaide Scritori à frente da Fundação. Com o passar dos anos os feitos tomaram tamanha proporção que a Fundação ganhou seguidores e colaboradores pelo mundo inteiro.

Nossa missão: Minimizar catástrofes que podem ocorrer em razão dos desequilíbrios provocados pelo homem na natureza.

Fundação Cacique Cobra Coral


Tirando a parte exotérica, eles são um grupo de confiança. Não sei porque gastamos milhões de reais com o CEPETEC/INPE para fazer previsões do tempo. Seria muito mais proveitoso fazer como a FCCC. Seus "dados" meteorológicos veem da "Tunikito corporation" (sic). "Um conglomerado de empresas que há mais de 20 anos tem se dedicado ao setor de seguros de automóveis, consultoria, administração e participação, representação comercial, locação de veículos importados e meteorologia em todo o mundo". Isso que eu chamo de foco em um tipo de negócio!

Parece uma piada de mau gosto, mas não é. Eles parecem ter convênio com várias prefeituras de todo o Brasil, como mostrado na parte de "convênios" do seu sítio. Dentre elas cidades pequenas como Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

"Mudanças climáticas" ou "Aquecimento global"?



"Prova positiva do quecimento global". Fonte: Humor na ciência


Tanto na mídia quanto na blogosfera em geral esses dois termos são muitas vezes utilizados como sinônimos, o que está longe de ser verdade. Gostaria de contribuir com este post para acabar de uma vez por todas com a confusão gerada pela popularidade deste tema e explicar o porque deste humilde blog ter acatado o termo "Aquecimento global" como padrão de palavra chave.

O termo "Aquecimento global" é mais antigo e foi citado pela primeira vez em 1975 pelo geoquímico Wallace Broecker em um artigo para o periódico Science intitulado "Climatic Change: Are We on the Brink of a Pronounced Global Warming?". Antes deste artigo, o termo mais comum na literatura científica era "mudança inadvertida do clima". Isto porque na época ainda era muito controverso o papel do homem e dos aerosóis na mudança do clima. Enquanto o primeiro poderia liberar gases de efeito estufa na atmosfera (aumentando a temperatura global da Terra) o segundo poderia diminuir a temperatura global. O termo "mudança inadvertida do clima" só foi abandonado em 1979 devido a um estudo da NASA que revelou o papel do dióxido de carbono no clima. Vinte anos depois e ainda se sabe muito pouco sobre a influência dos aerosóis no clima, mas o efeito dos gases de efeito estufa no aumento da temperatura da Terra é pouco questionado.

Além de ter forçado o abandono do termo "mudança inadvertida do clima", o estudo da NASA de 1979 também introduziu pela primeira vez o termo "Mudanças climáticas". Quando ele se referia ao aumento da temperatura da superfície do planeta, utilizava o termo "Aquecimento global" e quando se referia aos efeitos do aquecimento global, ele utilizava o termo "Mudanças climáticas".

Já na década de 80 outro termo começou a ser utilizado, a "Mudança global", mas conquistou poucos seguidores. No final desta década, após o discurso ao congresso americano do cientista da NASA James E. Hansen, o termo "Aquecimento Global" se tornou realmente popular, sendo utilizado tanto pela mídia quanto em publicações científicas.

Fazendo uma busca rápida no Google Trends podemos entender a diferença brutal entre a utilização dos termos na internet.





Se procurarmos pelos respectivos termos em português, esta diferença é ainda maior. Veja que interessante o lag entre a utilização dos termos em inglês e português. Podemos ver claramente o atraso na resposta da utilização dos termos em português.





Então vem a pergunta do início do post. Porque preferimos utilizar o termo "Aquecimento Global" aqui no blog? A resposta não é tão simples, mas vamos tentar diferenciar os termos. Como este blog tenta dar uma visão científica dos temas ecológicos que normalmente não são bem tratatos pela mídia e pela blogosfera, a maioria dos posts relativos a este tema tratam de causas do aumento da temperatura global da Terra e a emissão de gases estufa. Resumindo, tratamos em grande parte da base científica das alterações recentes na atmosfera.

O termo "aquecimento global" refere-se a principal causa das iminentes alterações climáticas globais, o aumento da temperatura da Terra devido ao aumento do efeito estufa. As alterações climáticas regionais decorrentes deste processo são consequencias diretas e indiretas do aumento da temperatura média global. É claro que devemos tomar cuidado com mal entendidos. A média da temperatura global é que tende a aumentar como vimos em 2008. Diminuições regionais da temperatura podem ter acontecido como este caso na China, mas a média global tende a aumentar. Mas isso não pode ser um motivo para não utilizarmos este termo. Além disso, como Kevin Grandia escreveu no Huffington Post, não devemos esquecer que o termo "aquecimento global" é muito popular. Não utilizar este termo pode deixar bons textos sobre o tema esquecidos pela máquina de busca do google.

Quanto ao termo "mudanças climáticas", acho que ele ao mesmo tempo que se refere aos alterações decorrentes do aquecimento global, pode não dizer nada. Mudanças climáticas (mesmo as globais) são muito comuns na história do nosso planeta. Já um aquecimento global nas proporções previstas pelos últimos trabalhos e, principalmente, neste curto espaço de tempo, nunca foram vistas, nem pelas archea e bactérias.

Sendo assim, acho que a melhor construção de frase seria "As mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global...". Ou se você quiser ser mais direto ao ponto, escolha um dos termos, já que agora você aprendeu como utiliza-los.

Para ler mais sobre a polêmica destes termos, veja esta reportagem do The Huffing Post e este post do blog da NASA.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

ONGs do bem, ONGs do mal

Gostaria de compartilhar com vocês um texto publicado pelo jornal Folha de São Paulo no dia 13 de janeiro por Rogério Cezar de Cerqueira Leite, que é físico e professor emérito da Unicamp. É uma visão crítica do papel das ONGs na conservação ambiental. Abaixo um trecho selecionado por mim deste artigo.

"(...) Não nos ocuparemos aqui daquelas denominadas "ONGs do mal". Dentre elas, aquelas cujo propósito único é o usufruto de benesses financeiras e materiais. São denominadas ONGs sanguessugas nos compêndios de parasitologia. Tampouco consideraremos aquelas ONGs que, sustentadas por instituições e governos estrangeiros, defendem interesses alienígenas e se mantêm insensíveis às aspirações do povo brasileiro.

Concentraremo-nos, portanto, naquelas denominadas "ONGs do bem". Vamos também incluir nesse conjunto bem intencionados defensores públicos e autoridades do setor de meio ambiente. E vamos começar pelo recente leilão de eletricidade que teve como consequência a autorização e incontornável implantação de 50 termoelétricas a combustíveis fósseis.

Argumentam esses missionários verdolengos que hidroelétricas reclamam represamento de água e que represas são prejudiciais ao meio ambiente por vários motivos. Inicialmente, porque ocupam o espaço do ambiente natural, principalmente florestas, ameaçando espécies naturais e o equilíbrio ecológico.

Ora, qualquer espécie que estiver restrita exclusivamente à região de uma futura represa hidroelétrica já está condenada à extinção devido ao espaço limitado. Por outro lado, a questão de espaço vital é ridícula, pois, se assim fosse, teríamos que secar os lagos naturais. A maior diferença entre lagos naturais e represas é que os primeiros foram feitos pela mãe natureza (Jeová para alguns), enquanto as represas resultam da ação do homem sobre a natureza. No fundo, uma grande parcela da aversão dos chamados ambientalistas por represas é de origem religiosa."

Leia o texto completo no sítio do Jornal da Ciência.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Sobre ecologismo e moda

Achei que já tinha visto de tudo. Mas sempre me surpreendo com a indústria "verde" ou "eco-indústria". A motorola acaba de lançar o primeiro celular eco-amigável, eco-legal, eco-chick, eco-qualquercoisa. Ele é feito de plástico reciclado, tem uma caixa 22% menor que a normal e, é claro, apresenta-se em duas versões: a tradicional verde e "pink". Abaixo uma foto do moto w233.



"Eu sou verde! Comprem mais de mim! Estou na moda! Tudo em nome da natureza!"


Além de todas estas características "verdes", a motorola ainda paga por "todo" o carbono emitido na produção, distribuição(?) e operação(?) do telefone através do investimento em energia renovável e reflorestamento. Depois de ler o discurso do vice presidente de marketing (?) global da motorola, eu fiquei emocionado.

"Hoje, recursos naturais, energia e tempo são mais preciosos do que nunca. (...) A motorola não discutiu sobre o quão fino o telefone era ou sua forma ou moda. Realmente isso foi sobre a idéia de ser eco-amigável como um ponto de venda. (...) Se todas as coisas se mantem iguais, esse é um bom jeito de se distanciar um pouco da multidão."

Béééééé. Contradição detectada. Eles não pensaram em moda mas tiveram a idéia de ser "eco-amigável como um ponto de venda" ? Muito estranho isso...

Acho que agora podemos entender realmente o objetivo das empresas nesta nova situação. O objetivo é o mesmo. Fazer com que você compre coisas a qualquer custo, mesmo que não precise delas. O discurso é que eles não pensaram na "moda", mas na verdade só estão fabricando este celular porque ser "verde" está na moda! Se não estivesse porque fabricariam? Para não vender? Então eles só se preocupam com o meio ambiente porque está na moda?

Sim. Esta realmente é a resposta. E muitas pessoas que compram este tipo de produto só compram porque ele está na moda. Coisa passageira e que, talvez amanhã, mês que vem ou ano que vem, sairá da moda. Porque é assim que funciona o mercado. "Seguindo" tendências. Por isso que eu digo sempre, o problema do rumo do movimento ambientalista foi ter entrado na "moda". Acho que este caminho é perigoso e não tem um futuro certo. Deveríamos ter concentrado nossos esforços em mais educação e conscientização. Este era o caminho. Moda leva a alarmismo e pensamento acrítico.

É claro que este quadro não representa todas as pessoas que trabalham com "meio ambiente" no mundo. Muita gente séria trabalha com reciclagem e ensina pessoas a trabalharem com este tipo de produto, proporcionando mais renda e certa conscientização ambiental, principalmente para pessoas sem uma educação formal. Este é um trabalho sério e, com certeza, não utiliza produtos reciclados por moda.

Bem, se você quer dormir bem a noite achando que estará salvando o mundo, compre um celular desses. E como o funcionário da motorola disse, seja eco-amigável e compre mais produtos "verdes"!

PS.: Porque nunca fazem um produto deste tipo na cor preta ou qualquer outra cor sem ser verde? Porque será ?

Leia mais sobre o estardalhaço deste lançamento no sítio da motorola e no Sci-Tech Today.