quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Vantagens e desvantagens de ser uma planta



Clique para ampliar


- Ahhh. Você deve ter inveja.
- Porque?
- Fotossíntese! Você tem que andar por aí para conseguir comida, e eu só...fico aqui no sol.
- Ei, o que é aquilo ali?
- O que? O que é? O que ? Onde? Volte aqui e... Droga.


Não deixe de conhecer o Bird and Moon.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Google Maps + artigos científicos = AuthorMapper!





Em seu caminho para dominar o mundo, o Google lançou a ferramenta "Google Maps". Além de fazer a tradicional busca por endereços, a ferramenta ainda permite a vizualização de fotos da Lua, do céu e até do planeta Marte. Dentro deste contexto, a Springer, gigante da editoração científica mundial, teve uma ideia simples e interessante. Temos uma base de dados com milhares de artigos científicos e este número aumenta a cada dia. Porque não colocamos a localidade dos autores na ferramenta de mapas do google? E assim foi criado o AuthorMapper.


Visão dos últimos 100 artigos publicados na base Springer.


Podemos ver no mapa uma escala de cor à direita. Quanto mais vermelho, maior é o número de artigos publicados por autores de determinada região. Além disso é importante lembrar que uma marcação no mapa pode agrupar artigos de localidades próximas, indicando mais de um artigo. Aumente o zoom do mapa para refinar a escala. Além da visão dos últimos cem artigos publicados na base Springer, podemos ver também os artigos divididos por assunto (Química, biomedicida, filosofia, etc). Outra opção de filtro mais avançada é a busca por autor, instituição, periódico, país e data de publicação. Enfim, uma ferramenta interessante para aqueles dias em que não conseguimos passar da primeira linha daquele artigo engavetado.


Visão dos últimos 100 artigos publicados na base Springer. Detalhe: América do Sul


No horário em que visitei o sítio do AuthorMapper, dentre os 100 últimos artigos publicados na base Springer podemos reparar que 4 são do Brasil, sendo 2 do Rio de Janeiro e 2 do Paraná. Temos um artigo do Departamento de física teórica da UERJ, outro da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e dois da Universidade Estatual de Maringá. Lembre que temos só uma marcação no Paraná porque os dois artigos foram publicados por autores da mesma Universidade.

As possibilidades mais interessantes podem ser a exploração de padrões de publicação de artigos, entender novas tendências e histórico das publicações, dentre outras. Mas a que eu acho mais interessante seria achar uma pessoa lá no Casaquistão que publicou um artigo sobre o mesmo tema do meu doutorado ou mestrado. Alguns cliques no google e posso chegar ao email do autor. Coisas da internet.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Países desenvolvidos: Maiores emissores de gases estufa e ainda se dão bem!


Os EUA foram por muito tempo os maiores emissores de gases estufa para atmosfera. Junto com os países que passaram pela revolução industrial dos séculos XVIII e XIX, podem ser os responsáveis pela intensificação do efeito estufa no planeta. Isto é batido. O papel de cada país industrializado é bem sabido. O problema é global.

Entretanto, estudos realizados pela equipe do cientista atmosférico Darryn Waugh chegaram a conclusões impressionantes e, por incrível que pareça, injustas! Através de modelagens de dinâmica atmosférica e transferência de energia observaram que a parte mediana do hemisfério sul sofrerá uma diminuição das taxas de produção de ozônio, atrasando a recuperação da camada do referido gás sobre esta parte do planeta.

Esta foi a parte impressionante da conclusão, a injusta vem agora. Na parte mediana do hemisfério norte (EUA, Canadá e Europa), o padrão é inverso. Lá as taxas de produção de ozônio na estratosfera estão aumentando, havendo assim uma recuperação mais rápida desta camada sobre esta parte norte do planeta. Mas o que existe de injusto nisso? Vocês me perguntam. O injusto é que estes padrões de recuperação acelerada e retardada se devem ao aumento de CO2 e outros gases estufa na atmosfera. Com o aumento, padrões de circulação global de ar foram alterados. Assim, a estratosfera sobre o hemisfério norte está ficando mais gelada, diminuindo a degradação do ozônio. Já na parte sul do planeta, a estratosfera está mais quente, prejudicando a recuperação da camada de ozônio.


Volta de uma prainha no feriadão


Assim, além de gerarem um problema global, os países desenvolvidos podem aumentar as taxas de incidência de câncer e problemas oculares nos habitantes do hemisfério sul. Pois a camada de ozônio, como bem sabemos, funciona como um filtro solar para nosso planeta diminuindo a incidência de raios UV-B na superfície terrestre.

Eles causam o aumento da temperatura do planeta e nós tupiniquins saímos com menos roupas e frequentamos mais nossas praias. Assim ficaremos por mais tempo sujeitos ao câncer de pele, por exemplo, pois nossa camada de ozônio vai demorar mais tempo para atingir sua espessura normal (antes da invenção dos gases CFC's). Malditos yankes! Prejudicam até nosso lazer!

Fonte: ScienceNOW

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Vestindo sua molécula preferida



Cafeína


Tem camisa para todos os gostos. Para os bêbados, ansiosos, deprimidos, chocólatras, terroristas, fumantes...

Encontre a camisa que mostra quimicamente a sua preferência aqui.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Descobertas novas espécies de tentilhões em Galápagos



Tentilhão-cerveja, Tentilhão-vinho, Tentilhão-pinça, Tentilhão-pizza. Crédito: LightBulb cartoon


Em homenagem ao aniversário de 200 anos de Charles Darwin, nada melhor do que um dos exemplos mais marcantes de sua vida, os tentilhões de Galápagos. Entenda melhor como Darwin usou os tentilhões como um dos principais argumentos em favor da teoria do ancestral comum neste sítio.

Para ler o que já publicamos sobre Darwin e entender um pouco mais da sua importância histórica, clique aqui.

Darwin foi o primeiro ecólogo?

Darwin, a meu ver, foi um visionário. Diante do que ele dispunha, tanto de conhecimento científico, quanto de tecnologia, foram brilhantes suas conclusões. Porém o mais importante foram os desdobramentos de sua teoria na sociedade humana. Não vou começar a falar aqui sobre darwinismo social ou religião. O primeiro somente mostra como os capitalistas usam de todos os artifícios para justificar suas atrocidades, mesmo estando completamente errados sobre os conceitos de seleção natural. E sobre religião, não quero me deter nesse tema por enquanto.

Por mais que possuísse o título de naturalista, ele foi, na minha opinião, um dos pais da ecologia. Darwin, por várias vezes, usava termos como "economia da natureza" e "vaga" no seu célebre A Origem das espécies. Ele nada mais fez que antecipar os conceitos ecológicos que viriam a ser definidos em 1935 (Tansley) para ecossistema e para nicho, primeiramente, em 1933 (Elton começa usar este termo) e, depois, em 1957 (Hutchinson define o conceito moderno de nicho). A economia da natureza de Darwin, leva em consideração importância da interação dos fatores bióticos e abióticos para o funcionamento deste complexo sistema. Ele dizia que a quantidade de vagas na economia da natureza não era infinita, além disso, que quanto mais próximas as espécies maior a competição entre elas (sobreposição de nicho).

Além disso, a teoria de Darwin foi bastante importante para a saúde humana. Imaginem se não entendêssemos de seleção natural e tivéssemos que usar antibióticos? A resistência que algumas bactérias adquirem a antibióticos é facilmete explicada pela seleção natural. Deste modo, pudemos compreender como este fenômeno funciona e assim, remediá-lo.

Darwin foi muito importante para nós seres humanos e, principalmente, para todos os outros organismos vivos. Ele foi o primeiro a entender que todos temos um ancestral em comum e que, nós humanos, somos só mais uma espécie na natureza, suscetível a extinção como todas as outras. Grande Darwin!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Amazônia NÃO é o "pulmão" do mundo. Ou pode ser?



Rio Renato, município de Itaúba - MT, Brasil. Crédito: leoffreitas


Desde a minha época de colégio já tratava-se o tema como algo "ultrapassado". Se você chamasse a Amazônia de o "pulmão do mundo" era considerado no mínimo muito desinformado. Qualquer professor de biologia de colégio iria trazer a luz para os seus alunos dizendo: "A floresta amazônica respira todo o oxigênio que produz via fotossíntese. Sendo assim ela é neutra". Bem, o cálculo não é tão simples assim.

Podemos resumir esta questão pensando em uma razão muito utilizada por ecólogos. A razão entre produtividade primária e biomassa em um ecossistema, a famosa razão P/B. Em um estágio inicial da sucessão ecológica a tendência é que um ecossistema apresente uma alta razão P/B, devido a maior quantidade de plantas pioneiras que apresentam uma menor biomassa em relação a sua taxa fotossintética. Já em um estágio mais avançado da sucessão a razão P/B tende a diminuir, pois as plantas tardias passam a dominar com sua grande biomassa não-fotossintetizante. Desta forma, a teoria da neutralidade das florestas maduras parece a mais correta. Florestas maduras são dominadas por plantas tardias, tendo uma baixa razão P/B. Assim a taxa de respiração total do ambiente seria tão alta como a taxa fotossintética, resultando em um consumo interno de todo o oxigênio produzido. Será que a prática corrobora a teoria?

Pelo título do post parece que estou defendendo a analogia do pulmão do mundo. É claro que ela está errada em princípio. Mas a explicação do professor de biologia de colégio e a teoria da razão P/B que citei acima pode estar sendo muito simplista. Hoje sabemos que a maior produção líquida de oxigênio é creditada as microalgas, mas será que as florestas antigas não podem também colaborar com este balanço positivo? A teoria de neutralidade das florestas antigas em relação ao ciclo do carbono recebeu uma forte crítica em Setembro do ano passado no periódico Nature. Vamos tentar entender este ponto de vista.





O artigo copilou mais de 500 trabalhos em florestas antigas e mostrou que a maior parte das florestas entre 15 e 800 anos apresentava uma produtividade primária líquida positiva. Esta taxa refere-se ao balanço entre produtividade primária e respiração. Quando apresenta um número positivo, indica que a produção de oxigênio e, consequentemente, a fixação de carbono, é maior que a taxa de respiração. Além disso os autores ainda criticam a ideia de que florestas novas são as que mais fixam carbono. Segundo eles, as florestas novas são formadas principalmente pela degradação de uma área previamente florestada, resultando em uma maior taxa de decomposição da matéria orgânica do solo e da serrapilheira devido a este impacto.

É claro que não devemos extrapolar os dados desta copilação. Mesmo sendo bastante significativa (519 trabalhos copilados), os dados são referentes apenas a florestas boreais (30%) e florestas de clima temperado (70%). Os dados referentes a florestas tropicais disponíveis para a copilação eram apenas 12 e foram descartados pelos autores devido ao baixo número. A maior média (ou mediana, depende) de temperatura e umidade (dentre outras peculiaridades) das florestas tropicais provavelmente poderiam alterar o resultado publicado. Mas, com certeza, um estudo com um n amostral desta magnitude não pode ser desconsiderado.

Cerca de 30% das áreas de floresta do mundo são consideradas primárias e, sendo assim, antigas. As florestas antigas boreais e de ambientes de clima temperado sozinhas podem ser responsáveis por até 10% da produtividade líquida global. Além do carbono acumulado durante séculos, tanto no solo como em biomassa viva, a importância das florestas antigas como fixadoras de carbono não pode ser negada. Mesmo sendo desconsideradas pelo protocolo de quioto, o artigo da Nature mostra que devemos conservar estas florestas pelo que elas são hoje e não apenas pelo que elas acumularam ao longo do tempo. Desta forma, não subestime quem diz que a amazônia é o pulmão do mundo. Ele pode estar usando uma analogia errada, mas não está tão longe da verdade.


Referência

Sebastiaan Luyssaert, E. -Detlef Schulze, Annett Borner, Alexander Knohl, Dominik Hessenmoller, Beverly E. Law, Philippe Ciais & John Grace. Old-growth forests as global carbon sinks. 2008. Nature 455: 213-215


Update - 14/02/09 - 10:01


Não deixem de ler o comentário/post feito pelo Saci, do blog do pessoal da ecologia do Inpa. Deixei também um comentário no post dele, continuando a discussão. Muito obrigado pelo complemento de qualidade Saci.



segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Como NÃO fazer divulgação científica em rede nacional

"O que chamamos de divulgação científica é o reflexo de um modo de produção de conhecimento restringido e, consequentemente da constituição de um efeito-leitor específico relacionado à institucionalização, profissionalização e legitimação da ciência moderna, e que opõe produtores e usuários/consumidores e, cria a figura do divulgador, que viria, imaginariamente, restabelecer a cisão, e minimizar a tensão instaurada ao longo da história no tecido social da modernidade. Essa cisão não é mantida sem tensão, sem a (re)produção tensa de um imaginário que a mantém. É nesse imaginário que trabalha a divulgação científica."


Henrique César da Silva. 2006.
O que é divulgação científica?
Revista Ciência e Ensino


Entendi que devemos tentar minimizar a tensão entre o público leigo e o meio científico. Que devemos restabelecer esta cisão formada ao longo da história. Mas acho que os repórteres da Globo estão pegando pesado. Depois de mostrar para os futuros professores de biologia como NÃO se deve ensinar seleção natural para seus alunos, a segunda parte do seu especial sobre os 200 anos de Darwin chegou ao ponto extremo (pelo menos até aqui, pois ainda faltam 2 partes).

Depois de 21 minutos de programa com uma qualidade razoavelmente interessante, entrevistas (superficiais) com filósofo Daniel Dannet (autor do livro "A Perigosa ideia de Darwin") e com o biólogo Richard Dawkins (que dispensa apresentações), temos um furo muito comum em documentários desta natureza. Depois de 21 minutos sem intervalo de pouco muito conteúdo, o que devemos fazer para manter o público interessado? Fazemos uma analogia sem contexto e que, com certeza, além de errada, não trás nem de longe algum acréscimo de informação. Uma pena. Vejam com os seus próprios olhos.





"Agradecer" a seleção natural? Um "cordão nervoso" ao longo de milhares de gerações deu uma nova função a boca? E isto explica porque beijar é tão bom ? Pelo amor de Darwin. Não tinha nada melhor para fechar um especial sobre os 200 anos de um dos maiores cientistas da nossa história ?

Se isso é divulgação científica, com certeza estou muito longe de fazer isso. E quero continuar assim. Depois dessa experiência marcante, gostaria de convocar todos os biólogos a dedicarem parte ou grande parte do seu tempo a divulgar ciência. Precisam de nós. E com urgência.


Referência:

Henrique César da Silva. 2006. O que é divulgação científica? Revista Ciência e Ensino 1(1): 53-59. Link para o artigo.