quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Descobertas novas espécies de tentilhões em Galápagos



Tentilhão-cerveja, Tentilhão-vinho, Tentilhão-pinça, Tentilhão-pizza. Crédito: LightBulb cartoon


Em homenagem ao aniversário de 200 anos de Charles Darwin, nada melhor do que um dos exemplos mais marcantes de sua vida, os tentilhões de Galápagos. Entenda melhor como Darwin usou os tentilhões como um dos principais argumentos em favor da teoria do ancestral comum neste sítio.

Para ler o que já publicamos sobre Darwin e entender um pouco mais da sua importância histórica, clique aqui.

Darwin foi o primeiro ecólogo?

Darwin, a meu ver, foi um visionário. Diante do que ele dispunha, tanto de conhecimento científico, quanto de tecnologia, foram brilhantes suas conclusões. Porém o mais importante foram os desdobramentos de sua teoria na sociedade humana. Não vou começar a falar aqui sobre darwinismo social ou religião. O primeiro somente mostra como os capitalistas usam de todos os artifícios para justificar suas atrocidades, mesmo estando completamente errados sobre os conceitos de seleção natural. E sobre religião, não quero me deter nesse tema por enquanto.

Por mais que possuísse o título de naturalista, ele foi, na minha opinião, um dos pais da ecologia. Darwin, por várias vezes, usava termos como "economia da natureza" e "vaga" no seu célebre A Origem das espécies. Ele nada mais fez que antecipar os conceitos ecológicos que viriam a ser definidos em 1935 (Tansley) para ecossistema e para nicho, primeiramente, em 1933 (Elton começa usar este termo) e, depois, em 1957 (Hutchinson define o conceito moderno de nicho). A economia da natureza de Darwin, leva em consideração importância da interação dos fatores bióticos e abióticos para o funcionamento deste complexo sistema. Ele dizia que a quantidade de vagas na economia da natureza não era infinita, além disso, que quanto mais próximas as espécies maior a competição entre elas (sobreposição de nicho).

Além disso, a teoria de Darwin foi bastante importante para a saúde humana. Imaginem se não entendêssemos de seleção natural e tivéssemos que usar antibióticos? A resistência que algumas bactérias adquirem a antibióticos é facilmete explicada pela seleção natural. Deste modo, pudemos compreender como este fenômeno funciona e assim, remediá-lo.

Darwin foi muito importante para nós seres humanos e, principalmente, para todos os outros organismos vivos. Ele foi o primeiro a entender que todos temos um ancestral em comum e que, nós humanos, somos só mais uma espécie na natureza, suscetível a extinção como todas as outras. Grande Darwin!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Amazônia NÃO é o "pulmão" do mundo. Ou pode ser?



Rio Renato, município de Itaúba - MT, Brasil. Crédito: leoffreitas


Desde a minha época de colégio já tratava-se o tema como algo "ultrapassado". Se você chamasse a Amazônia de o "pulmão do mundo" era considerado no mínimo muito desinformado. Qualquer professor de biologia de colégio iria trazer a luz para os seus alunos dizendo: "A floresta amazônica respira todo o oxigênio que produz via fotossíntese. Sendo assim ela é neutra". Bem, o cálculo não é tão simples assim.

Podemos resumir esta questão pensando em uma razão muito utilizada por ecólogos. A razão entre produtividade primária e biomassa em um ecossistema, a famosa razão P/B. Em um estágio inicial da sucessão ecológica a tendência é que um ecossistema apresente uma alta razão P/B, devido a maior quantidade de plantas pioneiras que apresentam uma menor biomassa em relação a sua taxa fotossintética. Já em um estágio mais avançado da sucessão a razão P/B tende a diminuir, pois as plantas tardias passam a dominar com sua grande biomassa não-fotossintetizante. Desta forma, a teoria da neutralidade das florestas maduras parece a mais correta. Florestas maduras são dominadas por plantas tardias, tendo uma baixa razão P/B. Assim a taxa de respiração total do ambiente seria tão alta como a taxa fotossintética, resultando em um consumo interno de todo o oxigênio produzido. Será que a prática corrobora a teoria?

Pelo título do post parece que estou defendendo a analogia do pulmão do mundo. É claro que ela está errada em princípio. Mas a explicação do professor de biologia de colégio e a teoria da razão P/B que citei acima pode estar sendo muito simplista. Hoje sabemos que a maior produção líquida de oxigênio é creditada as microalgas, mas será que as florestas antigas não podem também colaborar com este balanço positivo? A teoria de neutralidade das florestas antigas em relação ao ciclo do carbono recebeu uma forte crítica em Setembro do ano passado no periódico Nature. Vamos tentar entender este ponto de vista.





O artigo copilou mais de 500 trabalhos em florestas antigas e mostrou que a maior parte das florestas entre 15 e 800 anos apresentava uma produtividade primária líquida positiva. Esta taxa refere-se ao balanço entre produtividade primária e respiração. Quando apresenta um número positivo, indica que a produção de oxigênio e, consequentemente, a fixação de carbono, é maior que a taxa de respiração. Além disso os autores ainda criticam a ideia de que florestas novas são as que mais fixam carbono. Segundo eles, as florestas novas são formadas principalmente pela degradação de uma área previamente florestada, resultando em uma maior taxa de decomposição da matéria orgânica do solo e da serrapilheira devido a este impacto.

É claro que não devemos extrapolar os dados desta copilação. Mesmo sendo bastante significativa (519 trabalhos copilados), os dados são referentes apenas a florestas boreais (30%) e florestas de clima temperado (70%). Os dados referentes a florestas tropicais disponíveis para a copilação eram apenas 12 e foram descartados pelos autores devido ao baixo número. A maior média (ou mediana, depende) de temperatura e umidade (dentre outras peculiaridades) das florestas tropicais provavelmente poderiam alterar o resultado publicado. Mas, com certeza, um estudo com um n amostral desta magnitude não pode ser desconsiderado.

Cerca de 30% das áreas de floresta do mundo são consideradas primárias e, sendo assim, antigas. As florestas antigas boreais e de ambientes de clima temperado sozinhas podem ser responsáveis por até 10% da produtividade líquida global. Além do carbono acumulado durante séculos, tanto no solo como em biomassa viva, a importância das florestas antigas como fixadoras de carbono não pode ser negada. Mesmo sendo desconsideradas pelo protocolo de quioto, o artigo da Nature mostra que devemos conservar estas florestas pelo que elas são hoje e não apenas pelo que elas acumularam ao longo do tempo. Desta forma, não subestime quem diz que a amazônia é o pulmão do mundo. Ele pode estar usando uma analogia errada, mas não está tão longe da verdade.


Referência

Sebastiaan Luyssaert, E. -Detlef Schulze, Annett Borner, Alexander Knohl, Dominik Hessenmoller, Beverly E. Law, Philippe Ciais & John Grace. Old-growth forests as global carbon sinks. 2008. Nature 455: 213-215


Update - 14/02/09 - 10:01


Não deixem de ler o comentário/post feito pelo Saci, do blog do pessoal da ecologia do Inpa. Deixei também um comentário no post dele, continuando a discussão. Muito obrigado pelo complemento de qualidade Saci.



segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Como NÃO fazer divulgação científica em rede nacional

"O que chamamos de divulgação científica é o reflexo de um modo de produção de conhecimento restringido e, consequentemente da constituição de um efeito-leitor específico relacionado à institucionalização, profissionalização e legitimação da ciência moderna, e que opõe produtores e usuários/consumidores e, cria a figura do divulgador, que viria, imaginariamente, restabelecer a cisão, e minimizar a tensão instaurada ao longo da história no tecido social da modernidade. Essa cisão não é mantida sem tensão, sem a (re)produção tensa de um imaginário que a mantém. É nesse imaginário que trabalha a divulgação científica."


Henrique César da Silva. 2006.
O que é divulgação científica?
Revista Ciência e Ensino


Entendi que devemos tentar minimizar a tensão entre o público leigo e o meio científico. Que devemos restabelecer esta cisão formada ao longo da história. Mas acho que os repórteres da Globo estão pegando pesado. Depois de mostrar para os futuros professores de biologia como NÃO se deve ensinar seleção natural para seus alunos, a segunda parte do seu especial sobre os 200 anos de Darwin chegou ao ponto extremo (pelo menos até aqui, pois ainda faltam 2 partes).

Depois de 21 minutos de programa com uma qualidade razoavelmente interessante, entrevistas (superficiais) com filósofo Daniel Dannet (autor do livro "A Perigosa ideia de Darwin") e com o biólogo Richard Dawkins (que dispensa apresentações), temos um furo muito comum em documentários desta natureza. Depois de 21 minutos sem intervalo de pouco muito conteúdo, o que devemos fazer para manter o público interessado? Fazemos uma analogia sem contexto e que, com certeza, além de errada, não trás nem de longe algum acréscimo de informação. Uma pena. Vejam com os seus próprios olhos.





"Agradecer" a seleção natural? Um "cordão nervoso" ao longo de milhares de gerações deu uma nova função a boca? E isto explica porque beijar é tão bom ? Pelo amor de Darwin. Não tinha nada melhor para fechar um especial sobre os 200 anos de um dos maiores cientistas da nossa história ?

Se isso é divulgação científica, com certeza estou muito longe de fazer isso. E quero continuar assim. Depois dessa experiência marcante, gostaria de convocar todos os biólogos a dedicarem parte ou grande parte do seu tempo a divulgar ciência. Precisam de nós. E com urgência.


Referência:

Henrique César da Silva. 2006. O que é divulgação científica? Revista Ciência e Ensino 1(1): 53-59. Link para o artigo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O conselho mais brilhante que eu já vi (Isso que é se preocupar com o meio ambiente)

Um assunto polêmico tem tomado conta das discussões na Grã-Bretanha. Um dos principais conselheiros para assuntos ambientais do governo britânico foi MACHO de falar que o grande problema ambiental é a superpopulação, deste modo ele recomendou que os casais britânicos não tenham mais que 2 filhos. Mas por que 2 filhos? Quando temos dois filhos compensamos nossas mortes, então duas pessoas botam mais duas no mundo e um dia morrerão. Depois de um tempo esta população entra em um equilíbrio e a taxa de crescimento fica nula. Se cada casal tiver, por exemplo, 1 filho, se este comportamento for incorporado na sociedade, a taxa de crescimento populacional vai ficar negativa. Isto é, a população vai diminuir.

"Muitas organizações acreditam que não é parte de seu negócio. Minha missão com os Amigos da Terra e os Greenpeaces deste mundo é dizer: 'Vocês estão traindo os interesses de seus membros ao se recusar a lidar com questões de população e estão fazendo isso pelas razões erradas, porque acreditam que o assunto é muito controverso'."
Disse o conselheiro Jonathon "cabra macho" Porrit (Tapa na cara de qualquer greenpace da vida!)


Para mim, o grande problema ambiental é suprir a gigantesca população humana com os bens de consumo produzidos pelo capitalismo. Não quero dizer que os mais pobres devem ficar sem direito a nada, pelo contrário, quero que todos tenham um mínimo digno para sua vida. Então o que devemos ter que fazer imediatamente? Parar de fazer com que a população humana cresça! E como? Controle de natalidade. Mas tem que ser algo imposto pelo governo? Não! Isso seria uma ditadura. Temos que conscientizar todos na população. Por que uma garota de classe média tem direito de tomar seu anti-concepcional (que ela guarda dentro de sua caixinha rosa da Hello Kitty) e uma menina que mora na favela nem sabe que isso existe?

A escolha de ter 1, 2, 4 ou 20 filhos é da pessoa, mas duvido que se ela tivesse um esclarecimento do problema que isto pode causar, primeiramente, para seus próprios filhos e depois para o meio ambiente e sociedade, que esta pessoa teria mais que 2 filhos. Mas nossos governantes precisam de uma grande massa sem esclarecimento, ops, deixa pra lá!


Cadê o PlayStation deles? (Só seu filho merece?)


Precisamos de políticas públicas de esclarecimento do controle de natalidade. Precisamos mostrar as alternativas contraceptivas para todos, independentemente de sua classe social. Imagina se todos os chineses resolvessem comprar um I-Pod cada... Não ia ter matéria prima para isso no nosso planeta!

É claro que o conselheiro sofreu muitas críticas sobre seus comentários, sendo chamado de maluco por alguns. É difícil jogarem na sua cara que a Amazônia, por exemplo, está sendo destruída para que mais aço seja produzido, para quando seu terceiro filhinho fizer 18 anos, você possa dar um carro para ele. Mas o mais sinistro é que para um menino pobre de 12 anos, o aço mais perto das mãos dele é de uma arma, seja para a guerrilha urbana (ex. Rio de Janeiro) ou seja para guerras étnicas (Ex. Dafur).

Na minha humilde opinião: Primeiro devemos parar de crescer, depois vem a tentativa de uma sociedade mais igualitária. Não é você enchendo sua banheira de hidromassagem até o meio, ou usando sacola de paninho para ir ao mercado, ou trocando suas lâmpadas... entre outros mil exemplos ambientalistas piegas, que você vai ajudar mesmo o meio ambiente! Quer ajudar? Use camisinha ou pílula! E dissemine essa idéia (e não seus espermatozóides, para os meninos é claro!)

Fonte: O Globo - Ciência

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Acidificação dos oceanos desorienta peixe palhaço


O aquecimento global é um assunto muito debatido. Suas origens, seus efeitos e sua intensidade são pontos para grandes discussões. Mas tem uma que achei muito interessante, por mais trágica que ela pareça. O peixe-palhaço é o nome comum que se dá para várias espécies da Pomacentridae. Existem mais de 25 espécies de peixes-palhaço. Mas o interessante é que estas espécies se utilizam do olfato para encontrar abrigo próprio para ele.

Os biólogos marinhos Philip Munday and Kjell Døving, que lideram uma equipe de pesquisadores, fizeram um experimento para observar o efeito da diminuição do pH dos oceanos na orientação deste peixe. Eles fizeram 4 tratamentos: um com o óleo de uma árvore que geralmente atrai o peixe, um segundo com o óleo de uma outra árvore de pântano que o peixe geralmente evita, um terceiro com secreção de anêmonas (lar normal do peixe-palhaço) e um quarto com secreção de parentes dele (o que o peixe evita de seguir). Com o pH padrão dos oceanos atuais, o peixe-palhaço manteve o comportamento normal de preferência de cheiros, mas com um pH de 7,8 os peixes não evitavam mais os odores que antes os repeliam. Eles simplesmente ficaram perdidos.


Peguem o bafômetro para o Nemo (Ele tá doidão)


O pH atual dos oceanos giram por volta de 8,0 a 8,15, porém em algumas partes já é observado uma queda deste valor. Se é devido a uma obsorção do CO2 em excesso na atmosfera, não temos certeza ainda. Mas sabemos que esta capacidade de tamponamento da diminuição do pH de águas oceânicas tem um limite, o que pode levar a uma real diminuição no futuro.

Este efeito foi testado em laboratório, e não se sabe ainda se ele ocorre em peixes selvagens. Porém é de se preocupar, pois outras espécies de peixe também se utilizam de odores para encontrar abrigos mais apropriados.

Fonte: Wired Science

Referência
"Ocean acidification impairs olfactory discrimination and homing ability of a marine fish." Philip L. Munday, Danielle L. Dixson, Jennifer M. Donelson, Geoffrey P. Jones, Morgan S. Pratchett, Galina V. Devitsin, and Kjell B. Døving. Proceedings of the National Academy of Sciences, Vol. 106, No. 4, Feb. 2, 2009.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Quem era o naturalista a bordo do Beagle?

A pergunta que eu fiz neste post parece simples mas não é. A primeira vista parece mais uma daquelas perguntas chatas que nos fazem decorar a resposta e que só terão utilidade em programas de televisão de quinta categoria. Esta na verdade poderia ser a pergunta de 1 milhão e quase ninguém (tirando ecólogos como o Saci) acertaria. A resposta correta é Robert McCormick. Ele era o cirurgião a bordo e ocupou a posição oficial de naturalista do Beagle. Esta descoberta interessante foi feita pelo antropólogo Jacob W. Gruber e publicada no The British Journal for the History of Science em 1969.



Capa do artigo sobre o naturalista do Beagle. Fonte: Cambridge Journals


Para chegar a conclusão de que o cirurgião a bordo do Beagle era o naturalista oficial da embarcação e não Charles Darwin, Gruber fez uma análise baseada em cartas da época, já que em nenhum documento oficial havia a identificação de quem seria realmente o naturalista do Beagle. Primeiramente Gruber ressaltou o contexto histórico. A marinha britânica tinha uma longa tradição de médicos-naturalistas e McCormick era instruído para tal função, tendo participado de outras expedições exercendo este cargo. Mas a prova irrefutável ainda estava por vir. Em uma carta escrita pelo naturalista Robert Jameson foram feitos vários conselhos ao naturalista do Beagle, manuais de como coletar e preservar amostras. A mesma foi endereçada a Robert McCormick. Desta forma, um mistério que durou mais de 100 anos foi desvendado. Mas se Darwin não era o naturalista a bordo do Beagle, porque e como ele fez parte desta viagem?

Charles Darwin fez a viagem mais importante de sua vida (e uma das mais importantes da história da ciência) como companheiro do capitão, Robert FitzRoy. Você deve estar me perguntando, como assim "companheiro"? Ele já conhecia o capitão FitzRoy antes da viagem? Na verdade não. Ele conheceu o capitão do Beagle apenas 1 mês antes da grande viagem. Para entendermos o motivo desta situação incomum, devemos pensar de forma contextualizada. Viagens deste tipo era muito longas, onde o contato com amigos e familiares era mínimo. Além disso, a marinha britânica desincentivava o contado pessoal do capitão do navio com a tripulação de "nível inferior". FitzRoy era relativamente novo (26 anos) e o último capitão do Beagle tinha se suicidado. Realmente não era um contexto favorável.



Robert FitzRoy aos 40 anos de idade. Fonte: wikipedia


Desta forma, Robert FitzRoy precisava de um companheiro de viagem. Mas não qualquer um. Já haviam outros passageiros extras no Beagle (um desenhista e um instrumentador), mas nenhum da sua classe social. FitzRoy era um aristocrata de família nobre e precisava de alguém que tivesse uma origem próxima a sua. Sabendo desta situação, 0 grande mentor de Darwin, J. S. Henslow, enviou uma carta para o capitão indicando seu aluno aplicado como candidato a vaga. Foi assim que Darwin conseguiu subir a bordo do Beagle, mesmo sem ser o naturalista oficial da embarcação.

Após uma série de desentendimentos científicos entre Darwin e McCornick, o naturalista oficial do Beagle retornou para a Grã-Bretanha, em 1832. Assim, o contato de Darwin com o capitão FitzRoy se tornava cada vez mais intenso e conflitante. E um dos principais motivos de conflito entre os dois estava no posicionamento de Darwin contra a escravidão. Um livro lançado recentemente defende que este ódio de Darwin a escravidão teria sido um dos seus principais norteadores da ideia de um ancestral comum. Acho esse argumento um pouco fraco, pois eu consideraria mais como um motivo para ele não ter preconceitos quanto a origem comum de todos os seres humanos (não importando a raça) do que como uma inspiração.

Outro motivo para discussões frequentes entre Darwin e FitzRoy era a religião. Parace muito claro que o posicionamento de Darwin em relação ao cristianismo foi alterado nesta viagem, principalmente devido ao comportamento autoritário do capitão (cristão ortodoxo) e as suas coletas que mostravam que a natureza necessitava cada vez menos de um criador inicial. Gould considera que "(...) FitzRoy pode muito bem ter sido mais importante que os tentilhões, pelo menos como fonte de inspiração para o tom materialista e antiteísta da teoria evolucionista e da filosofia de Darwin." Quase 30 anos após a famosa viagem, Robert FitzRoy não conseguiu escapar de uma tradição familiar. Suicidou-se a bala em 1865, encerrando de vez seu possível sentimento de culpa por ter "ajudado" Darwin a chegar a suas conclusões heréticas.

Referências:

Who was the Beagle's Naturalist? Jacob W. Gruber. The British Journal for the History of Science (1969), 4 : 266-282. Link para o artigo.
Darwin e os grandes enigmas da vida (2006). Stephen Jay Gould. Martins Fontes, São Paulo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Ecosystem Fail


Ecosystem Fail


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